Pesquisa revela foco em desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e modernização,
mesmo diante de desafios
O levantamento “Percepção dos Empresários do Setor Têxtil e de Confecção – Agenda 2026” aponta como principal vetor de crescimento este ano o desenvolvimento de novos produtos e materiais, indicado por 46% dos depoentes. Em seguida, aparecem a expansão do mercado interno (35%), o aumento das exportações (28%), a maior demanda por produtos sustentáveis (28%), os acordos comerciais em andamento (28%) e o fortalecimento de parcerias estratégicas (28%).
A enquete, realizada pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), mostra que, apesar do ambiente econômico ainda desafiador, o setor demonstra resiliência. Para 41% dos entrevistados, a avaliação do momento é neutra; 35% dizem-se pessimistas e 18%, otimistas. No campo do emprego, 32% pretendem ampliar o quadro de colaboradores, enquanto 48% devem manter o atual contingente.
INVESTIMENTOS E MODERNIZAÇÃO
O levantamento também indica manutenção do ritmo de investimentos:
• 39% pretendem manter o atual patamar;
• 37% projetam investimentos moderados;
• 15% planejam investimentos significativos.
Os principais aportes serão direcionados à modernização industrial, com destaque para máquinas e equipamentos (79%), tecnologia e automação (45%).
Na agenda de inovação, os empresários priorizam:
• Processos produtivos (69%);
• Tecnologia digital, incluindo IA e Big Data (44%);
• Desenvolvimento de novos materiais (37%);
• Personalização de produtos (28%);
• Design e moda (14%);
• E-commerce e marketplaces (12%).
A agenda ESG segue como prioridade transversal. Independentemente do cenário econômico, 53% das empresas pretendem investir em eficiência energética e 53% no uso de materiais reciclados ou sustentáveis. Outras 46% focarão na gestão de resíduos e 33% na economia circular.
DESAFIOS ESTRUTURAIS
Dentre os principais entraves apontados pelas empresas estão a elevada carga tributária (58%), a concorrência internacional (58%), a escassez de mão de obra especializada (51%) e a instabilidade econômica (44%).
No mercado interno, 35% projetam crescimento modesto entre 0,1% e 2%, enquanto 22% esperam estagnação e 17% estimam expansão moderada entre 2,1% e 4%. Nas exportações, 44% acreditam em estabilidade, 28% em leve aumento e 13% em pequena queda.
“O Brasil tem vasto potencial empreendedor e uma base empresarial resiliente. Criar condições para que esse potencial traduza-se em investimento, inovação e geração de empregos é, em grande medida, uma questão de reconstruir expectativas positivas”, afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit.
SOBRE A PESQUISA
O levantamento foi realizado entre 19 e 27 de fevereiro, com participação majoritária de empresas do Sudeste (59%) e do Sul (33%). Também responderam representantes do Nordeste (4%), Centro-Oeste (2%) e Norte (2%).
Quanto ao perfil dos respondentes:
• 59% são da indústria têxtil;
• 15% de confecção e vestuário;
• 16% fornecedores (químicos, corantes, máquinas e aviamentos);
• 8% cama, mesa e banho;
• 2% outros segmentos.
