MESTRE DAS MELHORIAS NOS PROCESSOS

Em comemoração ao Dia do Trabalho, celebrado em 1o de maio, conheça a história da Sandra Oechsler, costureira da Teka há 28 anos e reconhecida pelas ideias de melhorias implementadas na empresa, gerando maior eficiência e economia de tempo e recursos

Costureira, com quase quatro décadas de trajetória na mesma organização – a Teka, em Santa Catarina -, Sandra Leoneti Vonbommel Oechsler, 55 anos, construiu sua carreira a partir da prática, da observação e de uma curiosidade constante por melhorar processos. Mesmo sem formação superior, tornou-se uma referência interna em eficiência e qualidade, com contribuições relevantes reconhecidas no Projeto Colmeia, iniciativa interna da empresa que estimula colaboradores a sugerirem melhorias com impacto direto em produtividade e redução de custos.

O diferencial da Sandra está justamente na sua capacidade de transformar o cotidiano em oportunidade de inovação. Suas ideias, como ajustes em processos produtivos e reaproveitamento de materiais, nasceram da vivência direta no chão-de-fábrica e geraram ganhos concretos para a empresa. Ao longo dos anos, transitou por diferentes áreas, da costura ao controle de qualidade e treinamento, sempre mantendo um olhar atento e colaborativo.

Sua história reforça uma mensagem muito alinhada ao Dia do Trabalho. Inovação não depende de cargo, mas de ambiente, atitude e escuta. Além disso, ela traz uma visão sensível sobre valorização das pessoas e o papel da mulher no mercado, defendendo reconhecimento pela capacidade e condições mais justas de trabalho, ela tem um depoimento genuíno, com forte apelo humano e inspirador.

CONHEÇA A SANDRA OECHSLER

  • Sandra, qual é a sua formação?

Tenho segundo grau completo. Não cheguei a fazer faculdade, pois tive um filho deficiente e aí complicou para mim.

  • Conte um pouco da sua relação com a Teka.

Eu entrei na Teka dia 11 de fevereiro de 1985, com 14 anos. Naquela época era que nem ganhar na loteria entrar na Teka. Entrei para ser revisora, mas a encarregada perguntou se eu não queria aprender a costurar. Eu disse que gostaria, porque sempre gostei. Eu não tinha experiência, só ajudava minha tia a pregar botão. Mesmo assim aceitei.

No começo, eu achei que não ia passar na experiência, porque precisava chegar a 80% de produção e eu cheguei a 77%. Tinha medo de não passar e de como meus pais iam entender, porque eles nunca tinham trabalhado em empresa. Mas a encarregada disse que acreditava em mim e eu passei.

Depois, fui chamada para trabalhar na área do Roupão. No começo foi difícil, porque eu era muito nova e as pessoas lá eram mais velhas. Mas acabei gostando.

Em 1989 teve a greve das empresas têxteis. Eu fui trabalhar mesmo assim, entrava pela portaria de trás para não ser apedrejada. Foi um período marcante. Durante esse tempo eu falava que meu sonho era ir para o Controle de Qualidade. Com a greve e algumas demissões, surgiu a oportunidade e eu fui. Trabalhei 26 anos na qualidade do Roupão.

Depois, fui monitora de treinamento por mais de oito anos. Teve mudanças na Teka, voltei a costurar, depois retornei ao treinamento e estou há pouco mais de um ano na sala de amostra, onde eu sempre quis estar.

Saí durante um ano e oito meses, quando meu marido foi para Criciúma, mas depois voltei, porque eu gostava muito da Teka. Hoje estou com 39 anos de empresa.

  • Você já fez várias contribuições para melhorar os processos do seu trabalho e demais colegas. Quais você mais destacaria? E como você teve as ideias?

Participei de muitos Projetos Colmeia*. Fui uma das primeiras mulheres a ganhar. Um dos primeiros foi sobre a duplicidade de informação no roupão, que tinha etiqueta e embalagem com a mesma informação. Eu questionei isso e coloquei no Projeto Colmeia.

Outro que eu destaco foi sobre o lençol de malha. Mandavam picar os lençóis que tinham furinho. Eu dizia que não precisava picar, que podia fechar e vender como defeito leve, como outras empresas faziam. No começo disseram não, mas depois viram que estavam perdendo dinheiro. Eu ganhei esse projeto em parceria com outra pessoa. As ideias vinham da observação. Trabalhando na qualidade e no treinamento, eu via coisas que podiam ser feitas de outra forma, mantendo a mesma qualidade e ganhando tempo. Eu sempre fui de observar e pensar em como melhorar.

*O Projeto Colmeia, foi criado para gerar melhorias nos processos e reduzir custos a partir de sugestões feitas pelos colaboradores. Dependendo da economia que a ideia gerar para a empresa, a sugestão pode render desde brindes até premiações em dinheiro que vão de R$ 200 a R$ 5 mil. A ideia é incentivar a participação de todos na busca pela melhoria contínua, seja nos métodos, produtos, serviços, equipamentos ou até no ambiente de trabalho.

  • Considera que inovar no meio empresarial não depende de cargo, mas sim do ambiente que é criado para os profissionais? 

Eu acho que não precisa ter cargo. Depende do ambiente e da pessoa. Quando eu era monitora, incentivava as pessoas a colocarem ideias no Projeto Colmeia. Eu sempre dizia que, mesmo vindo de outra empresa, se tinham uma ideia melhor, podiam colocar. Ideia vai da pessoa.

  • O que te encanta no dia a dia de trabalho e que você acha que funciona bem?

Amizade. Eu prezo muito isso. Hoje na sala de amostra eu tive oportunidade de conhecer pessoas do prédio que antes eu não tinha contato, porque eu era da produção. Além disso, eu gosto do que faço e isso faz toda a diferença.

  • Com tantos anos de empresa, como você vê este atual momento da Teka?

Eu vejo como excelente. Quando entrei, estavam fazendo o muro por causa das enchentes. Eu vi a Teka crescer, depois dar uma caída. Hoje eu vejo a Teka se reerguendo. Vejo mais liberdade, vejo investimento, vejo coisas sendo feitas que antes não eram. Eu fico emocionada de ver isso. Tenho orgulho de trabalhar aqui e penso em trabalhar mais uns 4 ou 5 anos ainda.

  • O que você espera do futuro, principalmente sobre a mulher no mercado de trabalho?

Espero que a Teka continue crescendo e inovando, e que não complete só 100 anos, mas vá muito além. E sobre as mulheres, que sejam valorizadas, que tenham um ambiente de trabalho bom e que não precisem assumir serviço braçal por falta de homens. Que sejam reconhecidas pelo que podem fazer e pela capacidade que têm.

Foto: Arquivo Pessoal