ABIT APOIA A MODA CIRCULAR COMO CAMINHO PARA REDUZIR RESÍDUOS E FORTALECER A SUSTENTABILIDADE NO BRASIL

O consumidor exerce papel central ao optar por produtos de mais qualidade e durabilidade, prolongar o uso das peças, realizar reparos, doar ou revender roupas que não utiliza mais

No Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) reforça seu compromisso com a construção de uma economia mais sustentável e defende o avanço da moda circular como instrumento para reduzir resíduos, estimular a inovação e fortalecer a competitividade da indústria nacional.

A entidade apoia a ampliação de políticas públicas, incentivos à reciclagem têxtil, educação ambiental e parcerias entre indústria, varejo, governo e sociedade. O objetivo é acelerar a transição para um modelo em que roupas, tecidos e matérias-primas permaneçam em uso pelo maior tempo possível, gerando valor econômico, social e ambiental.

Impulsionada pela necessidade de enfrentar os desafios climáticos e otimizar o uso dos recursos naturais, a economia circular vem se consolidando como uma agenda estratégica para empresas e países que buscam combinar sustentabilidade, produtividade e inovação.

No setor têxtil e de confecção, essa transformação exige uma visão sistêmica. Ela envolve desde o desenvolvimento de novos materiais e produtos mais duráveis, reparáveis e recicláveis até a evolução dos processos produtivos, da logística reversa e dos modelos de negócio, além de estimular mudanças nos padrões de consumo e descarte.

“O avanço da circularidade depende da articulação entre indústria, poder público, centros de pesquisa, investidores e sociedade. Não estamos falando apenas de resíduos, mas de inovação, transformação produtiva e geração de valor ao longo de toda a cadeia”, afirma Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit.

A indústria têxtil e de confecção brasileira já vem incorporando soluções circulares em diferentes etapas de sua cadeia produtiva, especialmente por meio do reaproveitamento de resíduos industriais gerados na fiação, tecelagem e confecção. Quando adequadamente segregados, esses materiais podem retornar ao processo produtivo ou ser destinados a novas aplicações industriais.

Apesar dos avanços, a ampliação da reciclagem têxtil ainda enfrenta desafios importantes, sobretudo no pós-consumo. Questões relacionadas à coleta, triagem, logística, custos operacionais e diversidade de materiais exigem soluções técnicas e econômicas capazes de viabilizar modelos de escala.

Para contribuir com esse processo, a Abit e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) iniciaram um estudo nacional para mapear os resíduos têxteis industriais e pós-consumo, identificar gargalos e oportunidades e apoiar a construção de políticas públicas e instrumentos capazes de acelerar a circularidade no setor.

Nos últimos anos, o Brasil também avançou na construção de um ambiente institucional favorável à economia circular, com a criação da Estratégia Nacional de Economia Circular e o desenvolvimento do Plano Nacional de Economia Circular. Para a Abit, esses instrumentos serão fundamentais para impulsionar novos investimentos, tecnologias e modelos produtivos.

A entidade destaca, entretanto, que a transição para uma economia mais circular exigirá também condições econômicas adequadas, incluindo incentivos à utilização de matérias-primas recicladas, estímulo à inovação, ampliação do acesso ao crédito e modernização tecnológica.

“A circularidade deve ser tratada como uma agenda estratégica de desenvolvimento industrial, inovação e competitividade. Sustentabilidade ambiental e sustentabilidade econômica precisam caminhar juntas para que possamos ampliar a escala das soluções e acelerar a transformação que o país necessita”, conclui Pimentel.

Imagem: Freepik (feita por IA)