PROGRAMA ABVTEX COMPLETA 16 ANOS E AMPLIA ACESSO A EMPRESAS

Evolução combina Selo Cobre, análise de sustentabilidade econômica e uma jornada mais simples para fornecedores, mantendo auditorias independentes

Criado em setembro de 2010 para promover relações de trabalho dignas e responsáveis na cadeia da moda, o Programa ABVTEX chega aos 16 anos ampliando sua atuação. Além do monitoramento socioambiental que marcou sua origem, a iniciativa avança como uma plataforma de desenvolvimento capaz de apoiar empresas em diferentes estágios de maturidade, incorporar a dimensão econômico-financeira à gestão de riscos e abrir novas oportunidades de negócios para fornecedores e subcontratados junto às mais de 100 marcas do varejo de moda representadas pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX).

A evolução busca tornar a jornada de conformidade mais clara e acessível, sem flexibilizar os compromissos que sustentam a moda responsável. As empresas continuam submetidas a auditorias independentes e protocolos públicos com mecanismos estabelecidos.

“Chegar aos 16 anos significa reconhecer a solidez do que foi construído, mas também compreender que uma iniciativa dessa dimensão precisa evoluir junto com a cadeia. Nosso desafio é facilitar o entendimento e o acesso das empresas, oferecer instrumentos para que elas se desenvolvam e, ao mesmo tempo, preservar a credibilidade que torna o PROGRAMA uma referência para o setor”, afirma Angela Bozzon, gerente do Programa ABVTEX (foto).

UMA NOVA PORTA DE ENTRADA PARA A CONFORMIDADE

Um dos principais marcos dessa evolução é o Selo Cobre, criado como uma porta de entrada para empresas que já cumprem as exigências legais e adotam práticas essenciais de conformidade, mas estão no início de uma jornada de aprimoramento. A categoria não substitui os demais níveis de certificação, mas permite que fornecedores e subcontratados ingressem no PROGRAMA a partir de critérios objetivos e avancem progressivamente para as classificações Bronze, Prata e Ouro.

O número de empresas classificadas no Cobre passou de 16 em dezembro de 2025 para 129 em julho de 2026. Na composição das empresas com o selo, a participação daquelas aprovadas em auditorias iniciais subiu de 25% em junho para 31% em julho. A parcela de empresas que retornaram após mais de seis meses fora do Programa passou de 2% para 4%.

Os resultados indicam que o novo nível de classificação vem cumprindo a função de ampliar o acesso a empresas em diferentes estágios de maturidade de Governança. Para obter o Selo Cobre, a empresa precisa passar por auditoria e atender aos requisitos legais e essenciais definidos pelo PROGRAMA. A partir desse primeiro reconhecimento, é estimulada a aprimorar processos e avançar na jornada de conformidade.

Nesse percurso, as empresas podem utilizar a ‘Autoavaliação’, ferramenta gratuita e opcional que permite identificar o estágio de conformidade e os pontos que precisam de atenção antes da auditoria oficial. Ela ajuda a companhia a se preparar e a planejar melhorias, mas não substitui a auditoria.

SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA AMPLIA A VISÃO SOBRE OS RISCOS

Outra frente que marca a transformação do Programa é a Vertical de Sustentabilidade Econômica. A ferramenta acrescenta indicadores econômico-financeiros ao modelo de acompanhamento social, ambiental e de governança, permitindo que as varejistas signatárias identifiquem riscos e possíveis vulnerabilidades com antecedência e qualifiquem suas decisões sobre a cadeia de fornecimento e relações comerciais. A capacidade de fornecedores e subcontratados manterem suas operações e honrarem compromissos passa a integrar uma visão mais ampla de responsabilidade no longo prazo.

Um levantamento divulgado pelo Programa ABVTEX mostrou que 96,28% das empresas avaliadas estavam classificadas na faixa de risco econômico-financeiro muito baixo e apenas 3.72% apresentavam risco crítico.

Depois de 16 anos, o avanço do Programa ABVTEX mostra que a governança e a inclusão podem caminhar juntas. Ao oferecer diferentes portas de entrada, ferramentas de orientação e instrumentos de análise de riscos, a iniciativa busca ampliar a participação da cadeia sem reduzir os compromissos que protegem trabalhadores, empresas e o próprio setor da moda.
 

Foto: Divulgação