MARCAS MOSTRAM POR QUE O ARTESANAL CONTINUA NO CENTRO DA MODA CONTEMPORÂNEA

Com apoio da Círculo, Catarina Mina, Santa Resistência e Ammi apresentam coleções na SPFW N61 que unem artesanato, identidade cultural e inovação 

Em uma temporada marcada pela valorização da autoria, da identidade e dos processos manuais, o artesanato surge como protagonista de algumas das narrativas mais relevantes do São Paulo Fashion Week. Crochê, bordados, rendas e outras técnicas tradicionais ganham novas interpretações nas passarelas, conectando moda, cultura e território. 

Por trás de parte desse movimento está a Círculo, empresa que há décadas acompanha a evolução do artesanato brasileiro e que, nesta edição do evento, apoia coleções de Ammi, Santa Resistência e Catarina Mina cujos fios integram parte das criações apresentadas na 61ª edição da maior semana de moda da América Latina.  

“A parceria da Círculo com essas três grandes marcas reforça o incentivo às iniciativas que ajudam a preservar técnicas tradicionais, fomentar comunidades artesãs e ampliar o diálogo entre o fazer manual e a moda contemporânea”, explica o CEO da Círculo, Osni de Oliveira Junior. 

CATARINA MINA FAZ DA CHUVA UM SÍMBOLO DE TRANSFORMAÇÃO

Em Bonito Pra Chover, Catarina Mina volta o olhar para o sertão e para a relação simbólica entre a terra e a água, inspirando formas, texturas, bordados e construções têxteis que percorrem toda a coleção. 

A riqueza artesanal é um dos pontos altos. O crochê aparece representando fluxos e correntes; o bilro traz leveza e transparência; os bordados manuais traduzem a cadência da chuva; enquanto o richilieu reproduz a flor do mandacaru, símbolo tradicional da chegada das águas ao sertão. 

A marca também incorpora a renda de filé e o patchwork, confeccionado a partir do reaproveitamento de resíduos têxteis e jacquards exclusivos que simulam visualmente o cair dos pingos de chuva. E para completar a experiência, o desfile contará com guarda-chuvas de crochê.  

Entre os destaques está o uso da renda de tramoia, técnica centenária do litoral cearense que corre risco de desaparecer. Desenvolvido em parceria com artesãs de Curral Velho, distrito de Itarema (CE), o trabalho integra uma iniciativa de preservação desse patrimônio cultural. O desfile está marcado para (15/10), às 15h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), no Parque Ibirapuera. 

SANTA RESISTÊNCIA LEVA ANCESTRALIDADE E SAMBA À PASSARELA

Com Otelo Brasileiro – Um Drama em Verde e Rosa, a Santa Resistência leva ao SPFW uma releitura contemporânea do universo de Otelo da Mangueira, tendo o samba, a cultura carioca e a identidade brasileira como pontos de partida.  

O crochê, principal elemento da coleção, aparece reinterpretado em propostas que transitam entre o casual e o sofisticado, reforçando o valor do fazer artesanal como símbolo de inovação, resistência cultural e luxo contemporâneo. Desenvolvidas com fios da Círculo, as criações são produzidas por crocheteiras de um coletivo da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, evidenciando como o trabalho manual pode funcionar como ferramenta de geração de renda e valorização de saberes tradicionais. O desfile será na sexta-feira (16/10), às 15h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), no Parque Ibirapuera. 

NATUREZA, TEXTURA E EXPERIMENTAÇÃO NA ESTREIA DA AMMI

Em sua estreia no SPFW, a Ammi apresenta a coleção Forma Viva, inspirada na inteligência dos processos naturais a partir do corpo, do movimento e do fazer manual. A marca transforma o crochê em construções contemporâneas que combinam rendas, bordados, pedrarias e elementos tridimensionais, como franjas, babados e camadas que criam textura e volume sem perder a relação com a silhueta. Desenvolvidas por uma rede de cerca de 300 artesãs com fios da Círculo, as peças são produzidas integralmente à mão e reafirmam o trabalho artesanal como elemento central da identidade da marca. Esta é também a estreia da Ammi no segmento de calçados, com modelos bordados e finalizados manualmente.  

O resultado é uma coleção que dissolve as fronteiras entre arte, design e moda, propondo um olhar contemporâneo para técnicas historicamente associadas ao fazer manual. O desfile ocorre no domingo (18/10), às 18h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), no Parque Ibirapuera. 

O ARTESANAL COMO LINGUAGEM DA MODA CONTEMPORÂNEA

Nas coleções de Ammi, Santa Resistência e Catarina Mina, o feito à mão se torna parte central da narrativa criativa. Em comum, as três marcas demonstram como crochê, rendas e bordados seguem inspirando novas formas de criação, conectando moda, memória e identidade cultural. 

Ao aproximar estilistas, artesãs e técnicas tradicionais, a Círculo também integra esse movimento, evidenciando a relevância dos processos e dos saberes que existem por trás das peças apresentadas na passarela. 

Look de Catarina Mina / Foto: Igor de Melo