Na edição 2026 da imersão Inteligência Cultural – Moda, Luciane Robic, do Ibmoda, fala sobre a importância de saber identificar e traduzir movimentos culturais para gerar valor, estratégia e consistência ao seu negócio
Entre os dias 7 e 28 de novembro, o Ibmoda promoverá a imersão Inteligência Cultural – Edição 2026 – Moda, um programa online e ao vivo desenvolvido especialmente para quem trabalha na área e quer transformar repertório cultural em ação para seus negócios, gerando valor de marca e posicionamento de mercado.
Serão 4 encontros, cada um deles seguindo uma trilha de conhecimentos compartilhados com profissionais renomados, como a consultora Lucia de Carvalho, a pesquisadora Paula Visoná e o designer de moda indígena Sioduhi Whaíkhun, com curadoria dos fundadores do Ibmoda, André e Luciane Robic.
Em entrevista, Luciane fala mais sobre a importância desse repertório na estratégia dos negócios. Para ela, a cultura não deve ser vista apenas como uma fonte de inspiração para a criação ou como um recurso de comunicação: precisa fazer parte da própria estratégia do negócio, porque influencia a maneira como as pessoas vivem, consomem, se relacionam e atribuem significado aos produtos e às marcas. Confira.
INTELIGÊNCIA CULTURAL: COMO APLICÁ-LA AO NEGÓCIO?
“Quando uma empresa compreende os movimentos culturais que estão transformando a sociedade, consegue ir além da identificação de tendências e antecipar mudanças de comportamento, reconhecer novas necessidades e identificar oportunidades que nem sempre são evidentes nos dados de mercado.
Mas existe uma diferença importante entre utilizar referências culturais e incorporar a cultura à estratégia. No primeiro caso, corre-se o risco de apenas reproduzir estéticas, símbolos e comportamentos que estão em evidência. No segundo, a cultura passa a orientar decisões sobre produtos, posicionamento, comunicação, experiências e até modelos de negócio.
Na moda, essa integração é especialmente importante, porque não vendemos apenas produtos: trabalhamos com identidade, pertencimento, expressão e reconhecimento social. Uma marca que compreende os significados culturais de suas propostas tem mais condições de construir relações relevantes com seus públicos e desenvolver uma identidade própria, menos dependente da reprodução de tendências.
É justamente essa a perspectiva que orienta nosso programa de Inteligência Cultural: desenvolver a capacidade de observar, interpretar e traduzir movimentos culturais em criação, antecipação de futuros e construção de valor.
Em síntese, a cultura deixa de ser apenas uma referência para aquilo que a empresa produz e passa a fazer parte das razões pelas quais ela cria, para quem cria e do valor que entrega.“
COMO O CURSO PODE AJUDAR AS MARCAS?
“Na prática, o curso ajuda as marcas a desenvolver uma capacidade cada vez mais importante: transformar a compreensão da cultura em decisões de negócio, propostas criativas e construção de valor e capital cultural.
Muitas empresas acompanham tendências, analisam dados de consumo e observam o que seus concorrentes estão fazendo. Tudo isso é importante, mas não necessariamente permite compreender os movimentos culturais que estão por trás das escolhas das pessoas, nem identificar oportunidades que ainda não se tornaram evidentes no mercado.
Nosso programa propõe um caminho que começa pela identificação e interpretação de códigos culturais, passa pela transformação desse repertório em possibilidades de criação, explora diferentes cenários de futuro e chega à construção de propostas relevantes para os públicos e para os negócios.
Para uma marca, isso pode significar desenvolver uma coleção com identidade mais própria, descobrir oportunidades em públicos ainda pouco compreendidos, repensar seu posicionamento, criar experiências mais significativas ou identificar caminhos de inovação.
Ao longo do curso, essas quatro perspectivas são integradas pelo Mapa de Inteligência Cultural, uma ferramenta que desenvolvemos para ajudar os participantes a organizar suas descobertas, estabelecer conexões e traduzi-las em oportunidades concretas de ação.
O objetivo não é ensinar as marcas a seguir melhor as tendências, mas ajudá-las a desenvolver um olhar próprio sobre a cultura. Afinal, em um mercado no qual produtos, referências e soluções são cada vez mais facilmente reproduzidos, a capacidade de construir significados relevantes e uma identidade autêntica pode se tornar uma importante fonte de diferenciação competitiva.”
O DIFERENCIAL QUE ISSO TRAZ AO NEGÓCIO E PERCEPÇÃO DE MARCA AO PÚBLICO
“O principal diferencial está na capacidade de construir uma identidade de marca que não dependa apenas do produto, da estética ou do preço, mas dos significados que ela representa para as pessoas.
Hoje, produtos e tendências são rapidamente reproduzidos. Uma inovação pode ser copiada, uma estética pode ser replicada e uma vantagem funcional pode desaparecer em pouco tempo. Mas uma marca que desenvolve uma relação consistente com a cultura e com os valores de seu público constrói algo muito mais difícil de reproduzir: uma identidade reconhecível, relevante e capaz de gerar identificação.
Quando a cultura está integrada à estratégia do negócio, ela contribui para decisões mais coerentes, desde o desenvolvimento de produtos até a comunicação, o posicionamento e as experiências oferecidas. Isso fortalece a diferenciação competitiva e pode reduzir a dependência de disputas baseadas exclusivamente em preço.
Do ponto de vista do consumidor, a diferença está na percepção de autenticidade e pertencimento. As pessoas não escolhem uma marca apenas pelo que ela oferece, mas também pelo que ela expressa, pelos valores com os quais se identificam e pela maneira como desejam ser reconhecidas.”
Foto: Arquivo Pessoal
