Com crédito fundiário de juros subsidiados, 24 famílias de Ingá deixam de plantar em terras emprestadas e se preparam para ampliar a oferta de algodão orgânico, cuja demanda cresce com a moda sustentável
O Dia da Colheita 2026, que será realizado em 30 de outubro, celebra a agricultura familiar e a produção de algodão orgânico na Paraíba. Neste ano, o evento marca também uma conquista histórica para 24 famílias de agricultores de Ingá (PB): a compra de 450 hectares de terra própria para ampliar o cultivo do algodão orgânico.
A produção atual chega a 100 toneladas em Ingá e Região com 58 famílias. O dado integra a série histórica do Projeto Algodão Paraíba, que acompanha a produção regional desde 2023. Em Ingá, especificamente, a expectativa é acrescentar 50 toneladas à produção anual a partir de 2027, com o cultivo nas novas áreas adquiridas.
Somente no município de Ingá, as 24 famílias adquiriram os 450 hectares por meio do crédito fundiário, com juros subsidiados pelo governo federal e prazo de 20 anos para pagamento. A conquista representa uma mudança importante para agricultores que, durante anos, cultivaram algodão em terras emprestadas. “Antes, a gente plantava na terra dos outros. Agora vamos plantar terra da gente, e isso dá orgulho”, declarou o presidente da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Ingá e Região (Itacoop).
Segundo o Sr. Biu, boa parte do algodão orgânico produzido na região era cultivada em áreas cedidas ou emprestadas. Nas novas terras, os agricultores poderão planejar a produção com maior segurança e manter o sistema de cultivo consorciado que combina o algodão com milho, feijão e mandioca.
MERCADO TEM DEMANDA PARA O ALGODÃO ORGÂNICO
A conquista das terras acontece em um momento de crescimento da demanda por fibras orgânicas na indústria da moda, que busca matérias-primas com menor impacto ambiental e rastreabilidade na cadeia produtiva.
“Hoje temos mercado para 150 toneladas de algodão orgânico certificado: 100 toneladas que já produzimos na região e mais 50 toneladas que poderão vir das novas terras em Ingá. Agora precisamos ampliar o plantio. A conquista dos 450 hectares representa um passo decisivo para que as famílias de Ingá deixem de depender de terras emprestadas e possam planejar sua produção com segurança”, afirma Francisca Vieira, presidente da Associação Brasileira da Moda Sustentável (Abrimos) e CEO da Natural Cotton Color.
Francisca Vieira é idealizadora do Projeto Algodão Paraíba, iniciativa da Natural Cotton Color que aproxima agricultores familiares da indústria têxtil por meio de contratos de compra garantida. O projeto tem entre seus parceiros as empresas Cataguases, Dalila Têxtil, Texpar e Ecosimple.
DA TERRA AO BENEFICIAMENTO
Além da conquista das terras, Ingá consolidou sua estrutura produtiva com a implantação de uma usina de beneficiamento de algodão com apoio dos parceiros. A unidade realiza o descaroçamento, separando a pluma do caroço, e a extração do óleo de algodão produzido na região. O aproveitamento dos subprodutos amplia o uso da matéria-prima: os resíduos do processamento são transformados em torta, utilizada como ração para o rebanho animal da região.
O trabalho conjunto dos agricultores e parceiros também contribuiu para a conquista, em 2026, da certificação Global Organic Textile Standard (GOTS), um dos principais padrões internacionais para a produção e o processamento de fibras orgânicas. A certificação estabelece critérios ambientais e sociais que abrangem diferentes etapas da cadeia produtiva. Como resultado, ampliação do mercado internacional para a moda produzida com o algodão certificado.
DAS NOVAS TERRAS À PRÓXIMA SAFRA
A aquisição dos 450 hectares não significa que toda a área será destinada ao plantio. Antes do plantio, que deve começar em 2027, é preciso preparar as novas terras, com estradas de acesso e poços. Além disso, segundo os dados do projeto, 30% da área será mantida para preservação da vegetação nativa, restando 315 hectares para atividades produtivas.
Cada família poderá cultivar no máximo dois hectares de algodão. Com esse limite, a área efetivamente cultivada com algodão deverá chegar a aproximadamente 50 hectares, com expectativa de produção de 50 toneladas de algodão orgânico em Ingá em 2027.
Para o prefeito de Ingá, Jan de Manoel da Lenha, nenhuma família chegaria sozinha aos 450 hectares. A conquista nasceu da cooperação entre os agricultores e o Dia da Colheita reconhece quem fez essa história acontecer. “O evento ocupa um espaço importante no calendário de Ingá. É dia de reconhecer a capacidade de organização e o compromisso dos nossos agricultores que, por meio da cooperativa, vêm fortalecendo essa cadeia produtiva e conquistando novos espaços. É uma oportunidade mostrar para diferentes públicos, instituições, parceiros e jornalistas o potencial que existe em nosso município”, declarou.
PROGRAMAÇÃO DO DIA DA COLHEITA 2026
A programação conta com desfile da Natural Cotton Color, com peças confeccionadas em tecidos desenvolvidos em parceria com LYCRA® e Texpar. Também será realizado um desfile de moda praia e fitness da marca Celeste, em parceria com LYCRA®, Texpar e Pisada do Sertão.
A programação inclui ainda estações educativas no campo, com monitores apresentando práticas de cultivo orgânico, a importância da agricultura familiar para a economia local e os critérios da certificação GOTS e apresentações de grupos culturais da região.
Os participantes também poderão conhecer a usina de beneficiamento, incluindo o processo de descaroçamento, no qual o caroço é separado da pluma, e os equipamentos utilizados na extração do óleo de algodão.
NÚMEROS DO PROJETO ALGODÃO PARAÍBA
Os números apresentados neste comunicado à imprensa sobre compra de terras e produção futura correspondem exclusivamente ao município de Ingá (PB).
O Projeto Algodão Paraíba atua em Ingá e em outros municípios da região, e sua série histórica considera o conjunto dessas áreas. Por isso, os números regionais não devem ser comparados diretamente aos dados específicos de Ingá apresentados neste press release.
Em 2023, a área plantada pelo projeto era de 100,5 hectares, com colheita estimada em cerca de 105 toneladas e participação de 44 famílias. Em 2024, a colheita chegou a 180 toneladas, com mais de 60 famílias envolvidas.
QUEM FAZ O DIA DA COLHEITA ACONTECER
O Dia da Colheita foi idealizado por Francisca Vieira, CEO da Natural Cotton Color e presidente da Abrimos, para dar visibilidade à agricultura familiar e aproximar o público da cadeia produtiva do algodão orgânico da Paraíba. O evento é realizado pela Abrimos, Itacoop e Prefeitura de Ingá e tem patrocínio da Alumasa e FIEP-PB. O apoio é de Ecosimple, Dalila Ateliê Têxtil, Cataguases, Texpar, Makano, Sebrae PB, Senai PB e Banco do Nordeste.
A iniciativa busca mostrar as diferentes etapas desse sistema produtivo — do cultivo realizado pelos agricultores familiares ao beneficiamento e à transformação do algodão em fios, tecidos e produtos destinados ao mercado de moda. Participam instituições públicas e privadas, parceiros comerciais e jornalistas.
