Processo rigoroso coroa pioneirismos do algodão orgânico paraibano e eleva patamar da indústria têxtil brasileira
A Cooperativa de Agricultores Familiares do Município de Ingá e Região (ITACOOP), no estado da Paraíba, obteve a Certificação GOTS (Global Organic Textile Standard), uma das mais importantes certificações internacionais na cadeia têxtil orgânica. A certificação foi concedida pela ECOCERT Greenlife SAS, um organismo de acreditação internacional, após uma auditoria que confirmou o rigoroso cumprimento dos critérios ambientais, sociais e de rastreabilidade exigidos pela norma.
A ITACOOP foi certificada pela GOTS versão 7.0 e está autorizada a operar na categoria de fibras não tingidas, com foco na produção de algodão em rama composto por 100% algodão orgânico, classificado com o selo Orgânico. O processo inclui o descaroçamento do algodão realizado nas instalações da cooperativa. O certificado é válido até 11 de março de 2027 e está registrado sob a Licença GOTS nº 00266467.
O presidente da ITACOOP, Severino Vicente da Silva, o Biu, enfatizou a importância dessa conquista para a cooperativa. “Trabalhamos muito tempo para chegar a este momento, que é muito significativo para os agricultores – homens e mulheres – para que os produtos orgânicos da Paraíba possam proporcionar melhores condições de vida. É importante para fortalecer a agricultura familiar e gerar renda para cada família produtora de algodão”, afirmou.
A cooperativa conta com o apoio de empresas como Natural Cotton Color, Cia. Industrial Cataguases e Dalila Ateliê Têxtil, Texpar, participantes do Texbrasil (Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira), uma parceria entre a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
CONQUISTA É RESULTADO DA UNIÃO DA COOPERATIVA COM EMPRESÁRIOS DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE CONFECÇÃO
A iniciativa de conquistar o selo GOTS partiu de Francisca Vieira, CEO da marca de moda Natural Cotton Color e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Moda Sustentável (Abrimos).
A empresária é detentora da patente têxtil de um denim criado por ela para sua da marca, além de outros tecidos inovadores como jacquard e malha com fios de algodão e seda. Exibidos no salão Première Vision Paris, seus produtos têxteis são vendidos por terem como base algodão colorido orgânico certificado, mas as marcas de luxo internacionais, como o grupo Kering (Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta e Balenciaga) exigiam também o selo GOTS.
Para expandir vendas e atender esta demanda, em 2017 viajou para a sede da GOTS, na Alemanha. Lá, constatou que o Brasil sequer tinha certificadora credenciada para auditar o selo GOTS. Assim, criou o projeto Algodão Paraíba para organizar a cadeia produtiva e atender às exigências. “Foram oito anos de trabalho, envolvendo investimentos de mais de um milhão de reais para construir, montar e adaptar toda a estrutura e os critérios do GOTS, incluindo a implementação de uma unidade de descaroçamento de algodão que atendesse aos padrões internacionais”, afirmou. Segundo ela, a certificação marca uma nova fase para o algodão orgânico brasileiro, alinhada às demandas do mercado global por rastreabilidade e sustentabilidade.


Tiago Peixoto, CEO da Cataguases, destacou o impacto estrutural da iniciativa na cadeia produtiva. “A certificação GOTS da ITACOOP é um marco importante nessa jornada. Mais do que um selo, ela reconhece o trabalho de mais de 60 famílias e valida um modelo no qual acreditamos: desenvolvimento local, geração de renda e uma cadeia têxtil mais sustentável”, afirmou. “O projeto reflete uma estratégia de longo prazo baseada na responsabilidade, na parceria e no fortalecimento da agricultura familiar”, acrescentou.
A Dalila Ateliê Têxtil também destacou a relevância da certificação para o avanço da cadeia produtiva. “A certificação GOTS representa um importante passo em frente na evolução socioambiental e de governança da cadeia têxtil. Com a certificação da ITACOOP, esse compromisso é reforçado desde a origem, garantindo não apenas o uso de matérias-primas orgânicas, mas também práticas responsáveis em todo o processo produtivo, da fibra de algodão ao fardo. Na Dalila, acreditamos que inovar com responsabilidade significa transformar a cadeia têxtil de forma consistente, unindo tecnologia, cuidado e propósito em cada etapa”, afirmou a empresa em comunicado.
Roberto Soares, CEO da Texpar, aponta a importância do certificado para que os compradores da Paraíba e de outros estados, possam continuar pagando o preço justo ao agricultor e que o número de famílias que fazem parte do projeto continue aumentando, fortalecendo assim a agricultura familiar do estado.
Em 2025, representantes da Abit e ApexBrasil estiveram presentes no Dia da Colheita do Algodão, realizado em Ingá (PB), na área do beneficiamento do algodão, acompanhando de perto as ações realizadas pela ITACOOP juntamente com a ABRIMOS no fortalecimento de uma produção têxtil mais respeitada no mercado internacional.
