ENGENHARIA TÊXTIL LEVA TECNOLOGIA DE BIODEGRADAÇÃO À MARATONA DE CURITIBA

Desenvolvida com malha da Diklatex, fio SENSIL® BioCare da NILIT e confecção da Woom, camiseta oficial reúne performance esportiva e tecnologia que acelera a biodegradação das fibras sintéticas em condições específicas

Uma camiseta de corrida precisa suportar quilômetros de treino, suor e sucessivas lavagens sem perder o conforto e o desempenho. Mas o que acontece com as fibras sintéticas depois que a peça deixa de ser utilizada? Essa questão está por trás de uma inovação aplicada à camiseta oficial da Santander Maratona de Curitiba 2026, evento que acontece em 15 de novembro e tem expectativa de reunir cerca de 16 mil atletas.

A peça é resultado de uma parceria entre a Diklatex, indústria têxtil responsável pelo desenvolvimento da malha, a NILIT, fabricante do fio tecnológico SENSIL® BioCare, e a Woom, marca curitibana especializada em vestuário esportivo e responsável pela confecção das camisetas. A iniciativa demonstra como a engenharia têxtil pode transformar uma tecnologia desenvolvida na fibra em um produto que combina desempenho esportivo e uma alternativa para reduzir a persistência de resíduos sintéticos no ambiente.

O diferencial está no SENSIL® BioCare, uma poliamida 6.6 que possui tecnologia incorporada à própria fibra para acelerar sua biodegradação em determinadas condições ambientais. Diferentemente de soluções aplicadas como acabamento, a funcionalidade faz parte do fio desde sua fabricação, permitindo que ele passe pelos processos convencionais de produção têxtil.

Segundo dados divulgados pela NILIT, testes independentes realizados conforme a norma ASTM D6691, que simula condições de ambiente marinho, demonstraram aproximadamente 86% de biodegradação do fio após 1.278 dias, período equivalente a cerca de três anos e meio. Nas mesmas condições de ensaio, a poliamida 6.6 convencional apresentou comportamento significativamente diferente, com menor biodegradação. Os resultados dizem respeito à fibra submetida ao teste e não representam um prazo determinado para a biodegradação da camiseta completa em qualquer ambiente.

A proposta da tecnologia é preservar características como resistência, durabilidade e conforto durante a vida útil do produto, ao mesmo tempo em que busca reduzir a permanência das fibras no ambiente após o descarte.

DA INOVAÇÃO NA FIBRA À ENGENHARIA DA MALHA

Para que a tecnologia chegue ao consumidor, existe uma série de etapas industriais. A NILIT desenvolve o fio SENSIL® BioCare, mas é na Diklatex que a matéria-prima ganha as características necessárias para sua aplicação em uma camiseta de corrida.

A indústria transforma o fio em uma malha projetada para atender às exigências da prática esportiva, considerando aspectos como leveza, toque, respirabilidade, secagem rápida e conforto. O desafio está em conciliar essas propriedades com a tecnologia presente na fibra, garantindo que o material seja adequado ao uso em peças de alta performance.

A Diklatex já utiliza o SENSIL® BioCare em seu artigo Bio Flow, uma malha desenvolvida em 100% poliamida, voltada a aplicações que exigem desempenho aliado à inovação ambiental. A participação na camiseta oficial da Maratona de Curitiba leva essa solução a uma aplicação esportiva de grande visibilidade.

“Uma tecnologia no fio, sozinha, ainda não é uma camiseta de performance. Existe uma etapa importante de engenharia têxtil para transformar essa matéria-prima em uma malha que responda às exigências do esporte. É aí que conseguimos conectar inovação, funcionalidade e aplicação em escala”, explica Eduardo Habitzreuter, engenheiro têxtil da Diklatex.

Depois de produzida, a malha segue para a Woom, empresa de Curitiba especializada em roupas de triathlon, ciclismo e corrida. A marca é responsável por transformar o material em camisetas que integrarão os kits da prova.

“O que mais nos chamou a atenção quando a Diklatex apresentou o tecido foi que a principal inovação da camiseta não é algo que o corredor consegue perceber ao vestir. Ele vai sentir a leveza, o toque e o conforto de uma malha de alta performance, mas existe uma tecnologia incorporada ao próprio fio que representa um avanço importante na questão ambiental. Para a Woom, é muito interessante participar de um projeto que reúne essas duas dimensões, especialmente em uma prova como a Maratona de Curitiba, em que essa inovação chegará a milhares de corredores”, destaca Fred Fagundes, sócio fundador e CEO da Woom.

UMA TECNOLOGIA INDUSTRIAL QUE CHEGA ÀS RUAS

A escolha de uma grande corrida de rua como vitrine para a tecnologia aproxima o desenvolvimento industrial de um público que, muitas vezes, desconhece os processos envolvidos na fabricação de uma peça esportiva.

Realizada desde 1997, a Maratona de Curitiba reúne atletas de diferentes regiões do país e vem ampliando sua participação. Em 2025, ultrapassou a marca de 16 mil inscritos e distribuiu R$ 604 mil em premiações, incluindo R$ 110 mil para cada campeão da prova principal de 42 quilômetros.

Em 2026, a presença da tecnologia na camiseta oficial amplia a visibilidade de uma discussão que envolve toda a cadeia têxtil: como desenvolver materiais capazes de manter as vantagens funcionais das fibras sintéticas e, ao mesmo tempo, buscar alternativas para reduzir seu impacto ambiental após o uso.

Para a Diklatex, a aplicação também evidencia o papel da engenharia têxtil na transformação de novas matérias-primas em produtos viáveis para o mercado.

“Quando alguém recebe uma camiseta de corrida, dificilmente imagina quantas decisões existem antes daquela peça ficar pronta. Neste caso, existe uma tecnologia desenvolvida na fibra, uma engenharia aplicada à construção da malha e uma confecção preparada para transformar tudo isso em produto. Mostrar essa cadeia também é mostrar o quanto a indústria têxtil pode inovar quando diferentes empresas trabalham sobre o mesmo desafio”, completa Habitzreuter.

Mais do que apresentar uma nova camiseta aos corredores, o projeto mostra como a colaboração entre fabricantes de fios, indústrias têxteis e marcas de vestuário pode levar tecnologias ambientais para além dos laboratórios, aproximando a inovação dos produtos utilizados no dia a dia.

Como informa a prefeitura da cidade, a experiência da Santander Maratona de Curitiba 2026 começa muito antes da largada, no icônico Museu Oscar Niemeyer. Entre os dias 12 e 14 de novembro, o MON reúne atletas, expositores e patrocinadores. A Diklatex e a Woom estarão lá também. As inscrições seguem abertas.