Na noite desta terça-feira (12), o governo federal anunciou a revogação dos 20 % de imposto sobre as compras internacionais até US$ 50, que ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.
A notícia não pegou o setor têxtil e confeccionista de surpresa, mas jogou um banho de água fria na esperança de que a decisão não fosse levada adiante, frente aos apelos feitos ao governo sobre os impactos nas indústrias, varejo e empregos dos brasileiros.
Para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil.
“Em vez de fortalecer a indústria nacional, o varejo formal, os empregos e a arrecadação do país, a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais. Trata-se de um tratamento desigual, danoso à indústria e ao varejo nacionais”, diz a nota de repúdio divulgada pela entidade.
“A decisão também representa um duro golpe sobre os investimentos produtivos, a geração de empregos formais e toda a cadeia têxtil e de confecção do Brasil. Esta é uma das maiores geradoras de empregos industriais do país e presente em mais de 60% dos municípios brasileiros. Cabe enfatizar que as mulheres representam 80% dos postos de trabalho do setor. Ou seja, a medida afeta de modo grave as trabalhadoras brasileiras. Além disso, a medida impactará negativamente a própria arrecadação pública. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em arrecadação federal, demonstrando que havia um caminho de maior equilíbrio competitivo e formalização do comércio eletrônico internacional”, continua.
De acordo com a Abit, os dois setores atendem, há décadas, consumidores de todas as faixas de renda, oferecendo produtos acessíveis, qualidade, inovação e diversidade. Além disso, geram milhões de empregos formais. Cerca de 80% das peças comercializadas no Brasil têm valor abaixo de US$ 50, justamente a faixa que agora volta a receber tratamento favorecido para produtos importados.
“É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos, custos logísticos, exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias, enquanto concorrentes estrangeiros passam a ter vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional. Cabe lembrar que as indústrias fabricantes dos produtos que ingressam via plataformas eletrônicas já têm subsídios em seus países. O fim da taxa representa mais uma subvenção, mas concedida pelo governo brasileiro”, completa a nota.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), também compartilha da opinião. Para eles, a medida representa um grave retrocesso econômico e um ataque direto à indústria, ao varejo nacional e aos 18 milhões de empregos gerados no Brasil, e sem isonomia, o setor prevê um cenário alarmante de desindustrialização e fechamento de postos de trabalho, transferindo riqueza brasileira para o exterior.
“Ao abrir mão da tributação das plataformas estrangeiras, o governo escolhe penalizar as empresas brasileiras, especialmente as micros e pequenas, que produzem, empregam, investem e sustentam a arrecadação do país. É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro. A decisão institucionaliza a concorrência desleal e escancara a falta de justiça e compromisso com quem gera desenvolvimento e riqueza dentro do Brasil. O resultado será devastador: menos investimentos, fechamento de empresas, destruição de empregos formais e enfraquecimento da economia nacional”, alerta a nota da Abvtex.
“Para haver consumo é obrigatório ter emprego e renda. Defender a isonomia tributária é defender empregos, arrecadação, investimentos e o futuro da economia brasileira. O país não pode continuar tratando quem produz aqui como inimigo, enquanto concede benefícios a gigantes estrangeiras que não operam sob as mesmas regras tributárias, trabalhistas e conformidade de produto”, finaliza a Abvtex.
Outra entidade do setor, a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abiv), que representa o polo confeccionista do Bom Retiro, em São Paulo, também divulgou nota sobre a decisão do governo. Cinthia Kim, presidente da Abiv, fez um convite aos consumidores à reflexão.
“Ao optar por produtos importados sem a mesma carga tributária e sem o mesmo nível de exigências regulatórias, quem perde é o Brasil: são menos empregos, menos investimentos, menor arrecadação e menos oportunidades para milhões de brasileiros.”
