IA, MAS SEM ESQUECER DO CLIENTE

Por Fábio Romito

Na edição 146 (julho/agosto de 2025) da Costura Perfeita, me referi rapidamente aos possíveis avanços do uso da inteligência artificial (IA) dentro do mundo da indústria, sobretudo na do vestuário. Agora, praticamente um ano depois, venho trazer algumas impressões sobre o que tenho visto.

A inteligência artificial está dominando nosso dia a dia cada vez mais. Diariamente temos contato com algum tipo de IA, seja em uma simples busca no Google, onde o primeiro resultado é um compilado de informações feito por IA, ou seja, em centrais de atendimento, principalmente via Whatsapp.

E creio que todos nós já encontramos erros no retorno de informações de IA, ou até desistimos de algo em função de um péssimo atendimento feito através de algum canal eletrônico que utiliza IA para atender aos clientes.

O consumidor precisa ser considerado dentro dos processos da IA. Quando em um simples atendimento a IA não consegue resolver seu problema e você não tem outra forma de contato com a empresa, o consumidor não está sendo considerado; e a própria empresa pode achar que tudo anda bem, pois os problemas não são detectados, uma vez que a IA foi mal treinada.

A IA estará sempre em evolução, pois isso é uma característica intrínseca, mas ela aprende com aquilo que consegue captar, como nós, que aprendemos com nossas leituras, nossos cursos, etc. Se o sistema for mal alimentado, a tendência é que erros ocorram. Com a correção dos erros, a máquina aprende e não erra novamente. Ou seja, ela também depende de treinamento.

Na área acadêmica, vejo alunos e professores utilizando IA para suas atividades. Vejo tanto aulas como trabalhos integralmente montados por inteligência artificial. Embora na maioria das vezes com muitas falhas e vícios, a IA vem sendo, de forma crescente, utilizada para esse fim.

Recentemente, em um trabalho de consultoria, sugeri que uma pessoa fizesse uma planilha para planejamento da produção, uma vez que a empresa não tinha nada. A pessoa me solicitou quais seriam os parâmetros para que ela fizesse o prompt para solicitar à IA que elaborasse a planilha.

Eu concordo com a utilização da IA como ferramenta facilitadora de uma série de processos, desde que a pessoa conheça o assunto, e não como fonte primária de informações.

Agora, uma coisa é inegável: estamos próximos de uma disrupção nos sistemas produtivos mundiais.

Para utilização na indústria do vestuário, já existem ferramentas desenvolvidas utilizando IA para auxiliar no design dos produtos, para criação e simulação de produtos em 3D, para fazer a especificação detalhada da construção dos produtos; para otimizar o corte, o consumo de materiais e os processos de fabricação, para simular o processo de fabricação buscando os gargalos e pontos sensíveis, para planejamento da grade de produção de acordo com os dados da demanda, otimizando as quebras de grade e sobras de estoque, para balanceamento dos processos produtivos e para controle de qualidade, entre outras ferramentas. Em algumas fábricas ao redor do mundo, já são utilizadas para diminuir impacto ambiental, para melhorar a eficiência no uso dos recursos, na produtividade nas plantas fabris e na padronização dos processos.

O uso da IA como ferramenta é e será fundamental no desenvolvimento da indústria, e essencial para a competitividade.

Meu ponto aqui é: e o consumidor? Está sendo considerado, ou estamos deixando a IA decidir o que o consumidor gosta e como deve ser atendido? Esse é o grande desafio: utilizar a IA como um grande aliado, com ferramentas úteis a oferecer, ou deixar ela dominar todo o jogo?

Fábio Romito é especialista na cadeia têxtil, formado em técnico têxtil, administrador de empresas e mestre em Engenharia de Produção; é também professor universitário e diretor da Romito Cursos e Treinamentos.

romitofabio@gmail.com