Idealizado e comandado por Eduardo Cristian, evento – em formato inédito – reuniu mais de 8 mil confeccionistas
Sabe aquela frase: “não sabendo que era impossível, foi lá e fez”? Pois ela se encaixa perfeitamente no contexto do MBA Fashion Day 2026, evento que começou em 2021 em formato de palestras com imersões ao vivo, mas, neste ano, veio com um formato inédito: uma confecção completa montada no meio do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo (SP), funcionando em tempo real. A ideia era mostrar os gargalos de uma confecção desde o início e trazer aos confeccionistas espectadores diferentes formas de solucioná-los.
“Ouvi de tanta gente: “Isso não é possível”, “Isso não vai dar certo”, “Isso não dá para fazer”. Mas ainda bem que não dei ouvidos e tive loucos que embarcaram nessa ideia comigo”, disse Eduardo Cristian, idealizador do projeto e da plataforma Costurando Sucesso, dedicada a consultoria, educação e treinamento às confecções.
O resultado: um evento que atraiu cerca de 8.500 confeccionistas de todo o Brasil, atentos às soluções trazidas por um time de peso de consultores técnicos, com a participação de empresas de maquinários e soluções para o setor e ainda centenas de profissionais da confecção no palco, trabalhando simultaneamente, como uma confecção real.
PARA CADA PROBLEMA, MÚLTIPLAS SOLUÇÕES
O evento foi pensado por Eduardo Cristian como uma encenação teatral, em que atores, um vestido de anjo e outro de demônio, instigavam o confeccionista a seguir um dos caminhos: o mais provável de dar certo ou o mais provável de dar uma série de “pepinos”, como atrasos, falhas de processo, retrabalho, comunicação, tecnologia, liderança, gestão de pessoas, entre muitos outros que fazem parte do cotidiano de quem empreende. A questão era: a confecção fictícia tinha apenas dois meses para resolver seus gargalos; caso contrário, iria à falência. E era nesses momentos que entravam em ação os consultores técnicos com suas soluções para cada situação. A encenação foi dividida em 8 atos, que ocorreram durante os dois dias de imersão (31 de janeiro e 1º de fevereiro).
“Nosso objetivo foi mostrar aos empreendedores a importância de ter clareza sobre qual é o problema e a visão para entender aonde se quer chegar. Com esses dois pontos bem definidos, é possível seguir com maior segurança. No início do evento, apresentamos um labirinto que representava a realidade de muitas confecções. A maioria das empresas do setor não trabalha com uma visão de médio prazo. Em dois dias de evento, condensamos cerca de quatro anos de aprendizados em gestão, processos, produção e desenvolvimento de pessoas. A cultura da empresa precisa estar internalizada nos colaboradores para que os processos evoluam e os resultados sejam mais consistentes”, afirma Eduardo Cristian.
TECNOLOGIA E EFICIÊNCIA EM JOGO

No palco, uma seleção de maquinários e soluções de ponta para as confecções estava em funcionamento, mostrando suas vantagens produtivas.
A Audaces, por exemplo, mostrou o poder da digitalização de processos e apresentou ao público a Sofia, sua inteligência artificial generativa, desenvolvida especialmente para o ciclo de criação e desenvolvimento de coleções, permitindo que croquis sejam transformados em fichas técnicas completas e visualizações hiper-realistas.
“Participar do evento no palco foi uma experiência extremamente positiva para a Audaces, pois nos possibilitou ir além da teoria e mostrar, na prática, como a tecnologia impacta diretamente a realidade das confecções”, afirma Wagner Heckert, diretor global de marketing da Audaces.
“Durante a apresentação, destacamos o Audaces360 como o único ecossistema que conecta, de ponta a ponta, os processos da indústria da moda, da criação à produção, passando por marketing e vendas, promovendo mais integração, eficiência operacional e tomada de decisão baseada em dados. Também apresentamos a Sala de Corte 4.0, com a demonstração ao vivo da máquina de corte automática Bravo V10 e da nossa enfestadeira automática premium, evidenciando como a automação e a digitalização do corte contribuem para a redução de desperdícios, o aumento da produtividade e um controle muito mais preciso dos processos dentro das confecções. Além disso, levamos ao público o ICF, considerado o verdadeiro cérebro da sala de corte, responsável por transformar dados em eficiência e inteligência operacional. O contato direto com o público, o alto nível de interesse e as interações ao longo do evento reforçaram que o mercado está cada vez mais aberto à inovação. Para nós, estar nesse palco foi uma oportunidade clara de traduzir tecnologia em valor real, conectando educação, estratégia e soluções práticas para o crescimento sustentável da indústria da moda”, declara.
Também enfatizando os processos digitalizados e o uso de inteligência artificial estavam a Welttec, com suas máquinas de costura, e a Delta, com seus equipamentos exclusivos, como explica Fábio Kreutzfeld, CEO da empresa.
“Durante nossa participação, apresentamos equipamentos como a relaxadeira, a revisadeira e as lavadoras de amostra, explicando o papel de cada etapa no ganho de eficiência do processo produtivo. No palco, o foco não foi apenas o desempenho das máquinas, mas a forma como elas se integram ao fluxo da confecção e apoiam decisões mais estratégicas, desde o desenvolvimento até a produção em escala. Participar do MBA Fashion Day no palco foi uma experiência muito rica para a Delta, porque nos permitiu mostrar a tecnologia em funcionamento em um contexto real de confecção, exatamente como ela é aplicada no dia a dia das empresas, e estar diante de um público tão qualificado, formado por confeccionistas que vivem esses desafios diariamente, tornou a troca ainda mais relevante e reforçou a importância de unir conhecimento técnico, gestão e tecnologia para fortalecer o setor.”
A Censi, com seus maquinários exclusivos e de fabricação própria, como as de corte de viés, fusionadeiras para entretelas em camisaria e as suas hors concours máquinas de aplicação de tags e etiquetas.
Implantar uma confecção com cerca de 300 colaboradores trabalhando no ginásio do Ibirapuera em um final de semana é, no mínimo, muito curioso, e a Censi não tinha como ficar de fora. Participamos com várias das nossas tecnologias e tivemos a oportunidade de apresentar o que há de mais eficiente para as mais de 8 mil pessoas que estiveram no evento. Sempre pode haver uma nova forma de fazer as coisas, e o MBA Fashion Day 2026 veio para comprovar”, diz Sheila Censi Braun, diretora de Mercado da Censi.
As entretelas em questão eram todas da Lola Soluções, que apresentou alternativas eficientes para eliminar transparências dos tecidos, estruturar peças, forros, golas, entre outras, a fim de garantir maior qualidade nas peças confeccionadas. “Também mostramos nossa atuação como base para diferentes tipos de bordado, desde os processos convencionais até aqueles que exigem materiais que se dissolvem em água quente ou fria. Oferecemos ainda termossolúveis, ideais tanto para grandes indústrias que produzem peças finas e delicadas quanto para pequenos artesãos que buscam precisão e qualidade no acabamento”, ressalta Aline Barros, especialista em Vendas da Lola.
Na área de estamparia, a Epson foi a fornecedora exclusiva de soluções em impressão digital têxtil do MBA Fashion Day 2026, com impressoras DTG (SureColor F3070), DTF (SureColor G6070) e sublimação (SureColor F11070), atendendo diferentes modelos de produção.
O CAPITAL HUMANO
Sem dúvida que ter equipamentos, softwares e materiais de ponta elevam a qualidade produtiva. Mas nada disso funciona sozinho, pois o principal está, ainda, no capital humano, no bom relacionamento e entendimento entre os colaboradores, lideranças e fornecedores e em ter uma equipe motivada, bem assistida, segura; isso foi bastante enfatizado no evento.
Entre todos os profissionais que compõem uma confecção, vamos destacar aqui o trabalho da costura, na qual está o coração que faz pulsar a produção.
No palco do MBA Fashion Day, com linhas de produções diferentes, estavam profissionais de costura da Têxtil Betilha (SP), T.Christina (SP), Adritex (SC), Consulado do Rock (SP), Maria do Carmo Jeans (SP) e KFK Private Label (SC).

Daniele Poyatos, diretora comercial e de marketing da Têxtil Betilha, conta que levaram mil peças, 12 costureiras e duas líderes encarregadas para produzir tudo ao vivo, colocando essas profissionais no centro do evento e evidenciando os desafios reais da confecção. Inclusive, relata, teve um pedido especial do Eduardo Cristian: uma peça com lastex, ainda mais trabalhosa e técnica.
“Participar do evento foi uma experiência especial e uma honra para nós ao representar a área da costura. Foi uma experiência que valorizou a costura aliada à tecnologia, reforçando a importância das profissionais e a necessidade de formar e integrar mais pessoas para o fortalecimento do setor”, enfatiza Daniele.
“A parceria entre a Betilha e a Welttec mostrou, na prática, como a costura evoluiu. Hoje, máquinas de alta tecnologia e recursos de inteligência artificial na regulagem tornam os processos mais precisos, reduzindo ajustes manuais e permitindo que as costureiras foquem no que realmente importa: qualidade e produtividade.”
Para o time da T.Christina, também foi especial estar no palco do evento. Claudia Cicolo, gestora de Cultura e Desenvolvimento Humano na Confecções T.Christina, contou que levaram um time grande, com 50 pessoas da equipe, gerando até frutos dentro da empresa.
“Essa participação no MBA Fashion Day trouxe maior engajamento interno, além do contato com um conteúdo que validou alguns movimentos estratégicos que a nossa gestão está realizando na fábrica. Saímos mais alinhados e com um repertório amplo e atualizado sobre o mercado”, avalia Claudia, que completa: “O fato de terem montado uma confecção com costureiras trabalhando ao vivo no palco proporcionou a valorização de quem produz a roupa. A moda não é só sobre quem cria, é especialmente sobre quem produz. Essa valorização e visibilidade de quem fica por trás é um motor muito importante para os confeccionistas, e para nós na T.Christina.”
Outra confecção participante, a Maria do Carmo Jeans, do polo faccionista de Taguaí, no interior paulista, esteve no palco trabalhando em uma célula produtiva de jeans com 33 pessoas. Raphael Dalin, proprietário da Maria do Carmo Jeans, revela que ali tentaram mostrar um pouquinho do dia a dia das confecções.
“Nós fazemos um planejamento durante o dia nas reuniões da manhã e quando vai para a costura, aí já não é mais como você havia planejado. Então, tentamos mostrar todas as dificuldades e soluções que se apresentam no dia a dia”, comenta.
O empresário conta que o convite para participar do MBA Fashion Day partiu de Eduardo Cristian durante uma das visitas que fez à facção, o qual foi prontamente aceito. “Conversei com a minha equipe e topamos o desafio”, diz. Para Raphael, o evento foi um divisor de águas.
“Quero muito enaltecer o meu setor, o de costura, que vem sofrendo demais ao longo dos anos, seja pelo mercado, seja com a falta de mão de obra, mas para o qual precisamos olhar com muita atenção, pois é um setor tão importante e que emprega tantas pessoas no Brasil, proporcionando o sustento de tantas famílias.”







