VAREJO DE VESTUÁRIO DEVE AUMENTAR FATURAMENTO COM DATAS COMEMORATIVAS, MAS VENDER MENOS PEÇAS EM OUTUBRO

Projeções do IEMI indicam alta de 1,9% em faturamento e recuo de 0,8% em volume; ABVTEX destaca desafios para transformar datas comemorativas em recuperação do consumo

O varejo brasileiro de vestuário chega ao mês do Dia das Crianças e do Halloween (Dias das bruxas) com previsão de crescimento no faturamento, mas ainda sem recuperação no número de peças vendidas. Segundo estimativas do IEMI – Inteligência de Mercado, o setor deve movimentar R$ 24,4 bilhões em outubro de 2026, alta de 1,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. O volume comercializado, porém, deve somar 477,2 milhões de peças, queda de 0,8% na mesma comparação. As projeções abrangem todo o varejo de vestuário no Brasil, incluindo roupas para adultos e crianças e se referem às vendas ao longo de outubro.

A diferença entre a evolução da receita e a quantidade de produtos vendidos revela um mercado que movimenta mais dinheiro, mas ainda comercializa menos unidades. Para Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, esse resultado exige atenção à leitura dos indicadores, especialmente na avaliação das oportunidades para o último trimestre do ano.

“O crescimento do faturamento precisa ser analisado em conjunto com o volume de vendas. Para outubro, projetamos uma receita maior, mas uma quantidade de peças inferior à de 2025. Isso mostra que o avanço em valores ainda não corresponde a uma expansão da demanda em unidades. As datas comemorativas oferecem uma oportunidade comercial, mas a perspectiva para o conjunto do mês permanece moderada”, afirma Prado.

Para a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), entidade que representa mais de 100 marcas do varejo de moda nacional, as datas são oportunidades para estimular as compras com coleções dedicadas às temáticas, mas a recuperação do setor depende também de condições que permitam às empresas competir e investir. A entidade defende a isonomia tributária e regulatória entre o varejo instalado no Brasil e as plataformas internacionais de comércio eletrônico.

“O Dia das Crianças é uma oportunidade para aproximar o varejo das famílias e estimular as vendas. Entretanto, a perspectiva de queda no volume de peças mostra que o setor ainda enfrenta dificuldades para ampliar o consumo. Precisamos de um ambiente de concorrência equilibrado, que permita às empresas instaladas no Brasil competir em igualdade de condições e continuar investindo e gerando empregos”, afirma Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTEX.

Na avaliação da entidade, oferecer produtos que conciliem preço, qualidade e durabilidade, com origem responsável, contribui para fortalecer a relação com os consumidores. Em um período de disputa pelas compras de presentes, esses atributos ajudam o varejo a demonstrar o valor de sua oferta.

Para o fechamento de 2026, a previsão é de um faturamento de R$ 320,8 bilhões no varejo de vestuário, avanço de 2,7% sobre 2025. O volume anual deve alcançar 6,31 bilhões de peças, recuo de 0,4%. A queda prevista para o ano é menor que a registrada no acumulado até setembro, sinalizando uma perspectiva de redução das perdas em volume no último trimestre, ainda insuficiente para encerrar 2026 com crescimento em unidades.

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