MULTINACIONAL FRANCESA LANÇA CALÇADOS DE SEGURANÇA PARA O PÚBLICO FEMININO

Empresa identificou lacuna no mercado brasileiro de EPIs

Presente em 30 países, entre eles o Brasil, e entregando seus produtos para mais de 110 destinos, a multinacional francesa Delta Plus está lançando um calçado de segurança voltado para o segmento feminino. Em parceria com a Cravo & Canela, uma indústria calçadista referência no País, a empresa produzirá um primeiro lote para vender no modelo B2B – para lojas e distribuidores. O lançamento será no Dia Internacional da Mulher, 8 de março.

O diretor-geral da Delta Plus Brasil, Júlio César Molezine, explica que a multinacional identificou uma lacuna no mercado brasileiro de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que apesar de ter 43% da mão de obra da indústria composta por mulheres (IBGE) não possui calçados específicos para esse público. “Atualmente, há uma carência muito grande em um EPI verdadeiramente feminino, que atenda à legislação e à certificação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Por isso, acreditamos que esse produto poderá romper paradigmas e apresentar uma nova solução em EPIs que leve satisfação às usuárias, além da melhora significativa dos resultados laborais considerando estes benefícios que a trabalhadora terá”, explica.

Segundo Molezine, o lançamento do produto, que estará disponível para o varejo a partir do Dia Internacional da Mulher (8 de março), deve contribuir para a continuidade do crescimento global da empresa, que no ano passado teve um faturamento de mais de EUR 435 milhões (mais de R$ 2 bilhões), 8% mais do que em 2024.
Materiais e estética O calçado será produzido a partir de uma combinação de couros e tecidos selecionados, priorizando resistência e durabilidade sem abrir mão da leveza, da transpirabilidade (conforto térmico) e do design. Outro diferencial do produto é o aroma de canela aplicado ao solado — marca registrada da Cravo & Canella.

Fotos: Divulgação

INOVAÇÃO

O gerente de Produto, Deivis Gonçalves, ressalta que o calçado representa uma quebra de paradigmas. “Nos últimos 15 anos, vimos algumas mudanças no setor de EPIs, pouco inovadoras no quesito design, mantendo-se ainda um visual robusto, volumoso e pesado. Houveram tentativas de ‘feminilizar’ o produto com cores e materiais voltados ao público feminino, porém a estrutura — o ‘chassi’ do calçado — permaneceu a mesma. Mudar a cor para rosa, por exemplo, não é suficiente. É preciso desenvolver um produto pensado para a mulher, principalmente para a anatomia do pé feminino e o cuidado com a biomecânica do corpo”, explica.

Segundo ele, a inovação, neste caso, vai além do atendimento a normas e legislações, ela entrega à mulher trabalhadora um calçado que se ajusta melhor ao seu pé, oferece mais conforto no uso diário e ainda agrega valor estético.

VISÃO DE MERCADO

O lançamento dos calçados femininos de segurança busca, também, uma mudança cultural no setor. “O conservadorismo pende sempre para a disputa de preços, isso é uma realidade, mas vem mudando e já tem muitos clientes (empresas) que entenderam que o EPI é um investimento. Que feito da maneira inteligente ele melhora os resultados, ainda que sejam um pouco mais caros. Afinal, é preciso colocar tudo na balança (durabilidade, satisfação do trabalhador etc)”, destaca Gonçalves.

DIFERENCIAIS DO MERCADO EUROPEU

Conforme Gonçalves, existem grandes diferenças entre os mercados europeu e brasileiro de EPIs. “A principal delas é cultural, sobre o entendimento da importância do EPI. Enquanto na Europa o custo médio de um calçado de segurança é de EUR 40 (R$ 245), no Brasil está em R$ 54,00 (ANIMASEG/2024). Além disso, na Europa, os funcionários recebem voucher para poder comprar seu EPI, enquanto no Brasil, de acordo com a Legislação, é a empresa que precisa fornecer o material ao funcionário, o que torna o preço um fator fundamental para o empresário”, comenta.

NR 01

Outro fator que tende a impulsionar as vendas do calçado no Brasil é a entrada em vigor, em maio de 2026, da revisão da NR 01 — norma que estabelece diretrizes e medidas de segurança para os trabalhadores. A atualização passa a incluir os riscos psicossociais no escopo dos riscos ergonômicos, ampliando a forma como empresas devem olhar para a saúde e o bem-estar no ambiente de trabalho. “Isso marca um novo momento para o mercado brasileiro. A partir de agora, além de mitigar riscos à segurança, os EPIs também precisarão promover mais conforto e bem-estar, já que esses fatores estão diretamente ligados à satisfação e ao desempenho do colaborador”, acrescenta Gonçalves.