NOVA SOBRETAXA DOS ESTADOS UNIDOS AMPLIA DESAFIOS ÀS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE TÊXTEIS E CONFECCIONADOS

Em nota, Abit se pronuncia sobre as novas taxações impostas pelo governo Trump

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) emitiu uma nota nesta sexta-feira (24), onde manifesta sua profunda preocupação com a decisão do Governo dos Estados Unidos de impor uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, no âmbito de medidas relacionadas ao combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado.

No caso do Brasil, essa nova sobretaxa soma-se à tarifa adicional de 25% já anunciada anteriormente, elevando para 37,5% a carga adicional incidente sobre grande parte das exportações nacionais, além dos impostos de importação normalmente aplicáveis. O impacto sobre a competitividade da indústria é extremamente significativo e compromete os esforços de integração comercial entre dois países que historicamente mantêm relações econômicas relevantes.

De acordo com a Abit, a justificativa apresentada para essa medida não reflete a realidade brasileira. O Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no combate ao trabalho escravo contemporâneo, além de estruturas permanentes de fiscalização, investigação e responsabilização. O enfrentamento dessa prática constitui um compromisso do Estado brasileiro e também das empresas que atuam formalmente no País.

A indústria têxtil e de confecção brasileira, em particular, investe continuamente em programas de conformidade, rastreabilidade, responsabilidade social, sustentabilidade e transparência de suas cadeias produtivas, atendendo às exigências dos mercados mais sofisticados do mundo.

A nova sobretaxa representa mais um obstáculo às exportações brasileiras justamente em um momento em que empresas dos dois países vêm fortalecendo parcerias comerciais, investimentos e estratégias de diversificação das cadeias globais de fornecimento. Medidas dessa natureza reduzem a competitividade das empresas brasileiras, aumentam os custos para importadores e consumidores americanos e dificultam a construção de relações comerciais de longo prazo.

A Abit entende que preocupações relacionadas às condições de trabalho devem ser tratadas por meio do diálogo institucional, da cooperação técnica e do reconhecimento dos avanços efetivamente alcançados pelo Brasil, e não por medidas tarifárias que acabam penalizando empresas comprometidas com as melhores práticas produtivas e sociais.

A indústria têxtil e de confecção brasileira faz parte da solução para a construção de cadeias globais de suprimento cada vez mais responsáveis, sustentáveis e transparentes. O Brasil reúne atributos reconhecidos internacionalmente: uma cadeia produtiva completa — do campo à confecção —, elevada capacidade de rastreabilidade, uma matriz energética predominantemente renovável, rigorosa legislação trabalhista e ambiental e empresas cada vez mais alinhadas às melhores práticas de governança e responsabilidade socioambiental.

A entidade reitera que continuará trabalhando em estreita articulação com o Governo Federal, com entidades representativas da indústria norte-americana e com seus parceiros comerciais nos Estados Unidos para buscar a revisão dessas medidas e preservar uma relação comercial baseada em fatos, segurança jurídica, previsibilidade, respeito mútuo e benefícios compartilhados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.