Crescimento do upcycling, interesse por processos manuais e adoção de ferramentas acessíveis impulsionam pequenos negócios e criadores da Geração Zil que esta conversa não é importante
busca por peças customizadas, sustentáveis e com identidade própria tem impulsionado uma mudança significativa no comportamento de consumo da Geração Z. Composta por jovens que cresceram em meio à hiperconexão digital, essa geração valoriza produtos que expressem personalidade, propósito e exclusividade — fatores que vêm fortalecendo tendências como o upcycling, a customização manual e o uso de equipamentos de corte, bordado, recorte SDX, sublimação e costura acessíveis. Esse movimento chega em um momento no qual o mercado global de moda reaproveitada e personalizada mantém trajetória ascendente, impulsionado pelo interesse por processos artesanais e narrativas de autenticidade. Pesquisas setoriais indicam que o segmento de moda upcycled deve crescer a uma taxa média anual próxima de 9% nos próximos anos, acompanhando o apelo crescente por sustentabilidade e estética individualizada.
Segundo o estudo da Deloitte sobre valores e comportamento de consumo da Geração Z e Millennials, os jovens compram menos por status e mais pela possibilidade de expressar identidade. Na moda, isso se traduz em peças únicas, intervenções manuais, sobreposições criativas — movimento conhecido internacionalmente como chaotic customisation — e maior valorização do trabalho artesanal. A tendência também tem repercussão econômica: marketplaces especializados em produtos feitos à mão têm registrado crescimento na procura por itens personalizados, o que reforça oportunidades para pequenos ateliês, artesãos e influenciadores que trabalham com costura, bordado, vinil, papelaria, sublimação e reaproveitamento têxtil.
O crescimento desse mercado indica uma transformação estrutural na maneira como a moda é consumida e produzida no país. “A Geração Z impulsiona uma nova dinâmica de consumo e, ao mesmo tempo, de produção. Eles querem propósito, exclusividade e envolvimento no processo criativo — e a tecnologia acessível é o elo que viabiliza tudo isso. O mercado tem hoje diversos equipamentos que permitem que qualquer pessoa personalize, empreenda e produza em pequena escala com qualidade profissional. Para nós, é muito claro que essa geração não apenas consome moda: ela cria, transforma e direciona os rumos do setor”, afirma Paulo Akashi, diretor de Vendas da Brother, multinacional referência em máquinas de costura, bordado, de corte e impressão digital têxtil.
Nesse cenário, equipamentos de entrada e semiprofissionais vêm ganhando espaço entre jovens criadores e empreendedores independentes. A Brother JS2135, por exemplo, é uma máquina de costura prática e acessível, procurada por quem está começando na costura criativa, produz peças autorais ou trabalha com ajustes e reinterpretação de roupas. Já a linha de máquinas de corte ScanNCut ampliou o alcance da personalização com vinil, o que tem fortalecido modelos de negócio que integram tecnologia, estética manual e produção sob demanda.
UPCYCLING
No universo do upcycling, a força criativa da Geração Z tem estimulado projetos de capacitação e formação voltados à experimentação e ao reaproveitamento de materiais. Lucius Vilar, estilista que atua no projeto (RE) Estampa — iniciativa do Instituto Focus Têxtil em parceria com a Brother, que foca no reaproveitamento de peças de vestuário —, destaca como o processo manual tem reconquistado valor simbólico entre os jovens.
“A adesão da Geração Z ao upcycling e às intervenções manuais é, antes de tudo, um gesto de autonomia criativa. Essa geração cresceu em um contexto de excesso: de informação, de produtos e de estímulos. E encontrou no fazer manual (customizar, bordar, pintar, desmontar e reconstruir peças) uma forma de afirmar identidade e autoria. Outro ponto importante é que o upcycling responde a uma preocupação real com sustentabilidade, mas de um jeito muito mais prático e emocional do que teórico. Eles não querem apenas comprar algo somente sustentável, eles querem transformar, ressignificar, estender a vida de algo que já existe. Isso revela um comportamento muito mais alinhado ao valor do reuso e da circularidade do que às lógicas tradicionais do consumo rápido”, comenta.
Lucius também reforça que esse movimento revela um deslocamento no entendimento de luxo: “Para os jovens de hoje, luxo é tempo, é afeto, é processo. É saber quem fez, por que fez e como fez. É vestir algo que tenha propósito. O crescimento das práticas manuais entre esses jovens mostra que a moda contemporânea está caminhando para um lugar onde o valor está cada vez mais nas mãos de quem cria e de quem veste”, conclui.
A tendência de personalização também se reflete no trabalho de influenciadores que utilizam equipamentos de corte para produzir itens exclusivos, de camisetas a acessórios. Lila Lopes, influenciadora parceira da Brother e que tem entre as suas especialidades a personalização com vinil, observa esse movimento diariamente em sua comunidade. “É uma geração que usa a personalização para expressar a sua própria identidade, reforçando o que realmente tem a ver com eles, independentemente do que outras pessoas vão pensar, sem precisar de aprovação dos outros para isso. E os equipamentos disponíveis hoje possibilitam essa criação autoral. A ScanNcut, por exemplo, traz muita praticidade: um dos diferenciais é seu scanner, que possibilita a reprodução de desenhos feitos à mão”, explica.
A combinação entre propósito, estética afetiva e tecnologia acessível tem colocado a personalização no centro da moda jovem. Impulsionada pelo desejo da Geração Z por autenticidade, essa tendência fortalece pequenos negócios, incentiva o empreendedorismo criativo e abre novos caminhos para quem transforma roupas comuns em peças carregadas de significado. “Hoje o que a gente tem de mudança real é a forma como se personaliza. A geração anterior já fazia isso, mas está mais acostumada a personalizar coisas novas. Já a geração Z tem uma tendência de compra de produtos que em brechós, por exemplo, para customizar e transformar numa coisa nova. Então, reutilizar o antigo, eu acho que não é só uma tendência, é algo que vai ser ainda muito disseminado”, opina Lila.
