Ferramentas de design, gerenciamento e estratégias são apenas um aperitivo sobre como a inteligência artificial já está inserida no dia a dia e vem transformando a cadeia produtiva de moda
* Um exemplo de design autoral com o uso de ferramentas de IA são as criações como esta da abertura, da brasileira Hanna Inaiáh.
As transformações tecnológicas das últimas décadas, especialmente neste novo milênio, têm sido tão galopantes quanto surreais, e ao mesmo tempo em que nos obriga a acompanhar sua evolução, nos dá a sensação de que estamos vivendo uma era “paleolítica moderna”. Lembram da história da descoberta do fogo pelo homo sapiens? Pois a descoberta e avanço da inteligência artificial (IA) dá essa sensação: de que o mundo mudou completamente e não temos noção no que pode se desdobrar. Para o CEO da Microsoft AI e cofundador da DeepMind, Mustafa Suleyman, o maior desafio que temos agora é o de manter sob controle tecnologias extremamente poderosas, como a IA. Será que a humanidade dá conta? O negócio é seguir o fluxo, com cuidado e atenção, porque esse caminho é só de ida.
“A IA não é uma nova onda, é um tsunami”, diz Karine Liotino, CEO e cofundadora da plataforma Etiqueta Certa. Ela destaca que a facilidade em lidar com a inteligência artificial, seja com uma pergunta ao ChatGPT, por exemplo, faz com que essa tecnologia tenha uma barreira de entrada muito baixa, se apresentando de forma intuitiva no cotidiano das pessoas.
“Hoje, para o mercado de trabalho, é mandatório saber usas essas ferramentas: não acho que a IA irá substituir os humanos, mas os humanos que dominarem o uso da IA, esses sim ocuparão o espaço de trabalho de quem não sabe”, complementa. Inclusive, Karine revela que na Etiqueta Certa já colocou todo mundo para estudar sobre, e estão em testes para implementar o uso de IA na própria plataforma.
Porém, o nível de conhecimento tecnológico no setor ainda é muito baixo, o que gera dificuldades para implementar algumas soluções nas empresas. “O entendimento sobre IA é diferente quando você conversa com empresas de diferentes regiões do país, e isso também está no fato de que a própria diretoria muitas vezes não se interessa sobre o assunto para poder entender e despertar isso em suas equipes”, pontua.
Para Pedro Daniel, um dos maiores experts do país em inteligência artificial aplicada a negócios, o ponto é: a IA não é mais opcional, ela já está no centro da transformação de negócios, e o papel do gestor é o de entender profundamente as possibilidades atuais que a tecnologia traz para tomar decisões estratégicas mais inteligentes.
Atuante de carteirinha nesta área – Pedro é criador da Escola de IA, professor em MBA de IA para Negócios e treinador e palestrante corporativo sobre o assunto -, ele reforça que a partir do momento em que um gestor abraça a IA e a difundir seu uso dentro da empresa, essa organização sai do papel de reativa e começa a liderar as mudanças no mercado. “E, nesse cenário, quem lidera define as regras do jogo”, aponta.
“Quando um líder domina o que a IA já pode fazer hoje e não apenas o que vai acontecer no futuro, ele consegue encontrar oportunidades ocultas dentro da operação que podem gerar aumento imediato de receita ou redução de custo; criar uma cultura interna de inovação, onde a equipe vê a tecnologia como aliada, não como ameaça; e implementar soluções de forma inteligente, evitando desperdícios com modismos e focando em ferramentas que realmente tragam resultado.”
Quem se une a esse coro é Adriana Vono Papavero, country director Lectra Brazil. Como uma empresa de soluções de ponta ao setor confeccionista, a Lectra há muito tempo vem investindo em pesquisas e tecnologias embarcadas em seus maquinários e programas, como a IA, bem como na difusão desses atributos aos seus clientes e ao mercado em geral. Para Adriana, a adoção bem-sucedida da inteligência artificial não é apenas uma questão tecnológica, mas uma decisão estratégica que precisa partir da liderança.
“Quando os líderes abraçam essa transformação com visão de longo prazo, conseguem impulsionar mudanças culturais e operacionais que são fundamentais para escalar o uso da tecnologia de forma inteligente e integrada à rotina produtiva. Na Lectra, estamos comprometidos em apoiar essa jornada: seja por meio de soluções pontuais que atendem necessidades imediatas, seja com tecnologias mais complexas como o Valia Fashion, ideal para empresas que já operam com sala de corte automatizada e querem dar um passo além na integração dos dados. Também contamos com centros de experiência onde gestores podem vivenciar, na prática, o impacto dessas inovações. Acreditamos que o futuro da moda se constrói em parceria, andando lado a lado com a indústria rumo a um modelo mais eficiente, conectado e sustentável.”
A opinião é endossada pelo senior PreSales Consultant Centric Software no Brasil, Carlos Fernandes. “É essencial que os gestores compreendam o que a IA já pode oferecer e, com estas ferramentas, alinhar seu uso à estratégia do negócio, criando uma cultura de adoção inteligente, usando a IA como uma vantagem competitiva, acelerando e aumentando a precisão dos processos.”

A empresa, com sede no Vale do Silício, nos EUA, e líder global em soluções PLM, até lançou um e-book que funciona como um guia prático sobre como aplicar a IA aos negócios de moda, onde ela faz diferença e justificativas de investimento estratégico na ferramenta. Atualmente, a Centric Software possui um ‘cardápio’ de soluções com IA embarcada para cada etapa do processo: da criação de produtos às vendas, com análise de mercado.
Entre os destaques estão o Centric Fashion Inspiration™, integrado ao PLM, para o desenvolvimento de produtos de moda; e o Centric Market Intelligence™, solução de pesquisa de mercado para entender as estratégias e ter um desenvolvimento de produtos mais assertivo.
Na Lectra, que também possui soluções que cobrem todo o ciclo de vida do produto, como o Kubix Link, que conecta dados e equipes numa única plataforma (PLM), garantindo rastreabilidade e consistência durante todo o processo de criação; o Retviews, que oferece monitoramento em tempo real da concorrência e do mercado, com base em dados públicos de e-commerce; e o mais recente, a plataforma Valia Fashion, para revolucionar o planejamento e gestão da sala de corte utilizando tecnologias da Indústria 4.0 ,como IoT, Big Data e IA.
“O Valia foi desenvolvido para atender as rápidas mudanças no cenário da moda, oferecendo as empresas uma solução única e tão esperada para otimizar o processo produtivo, reduzindo custos com consumo de tecido, e sendo mais eficiente, rentável e sustentável. Esse ecossistema integrado é o que permite à Lectra entregar uma resposta tecnológica completa, orientada por dados, escalável e alinhada com os desafios atuais da indústria da moda”, ressalta Papavero.

DISRUPÇÃO NOS NEGÓCIOS E EM TUDO O MAIS
Que a inteligência artificial é uma tecnologia disruptiva não há dúvidas, e nos negócios, segundo Pedro Daniel, ela está mudando o jogo de três formas muito claras: com a velocidade de execução, tomada de decisões e automação inteligente.
“Na velocidade de execução, as tarefas que antes levavam dias ou semanas hoje são feitas em minutos, com mais precisão e menos custo. Isso permite que empresas testem, validem e escalem ideias numa velocidade que antes era impossível. Na tomada de decisão baseada em dados em tempo real, a IA consegue processar volumes gigantescos de informação e entregar insights acionáveis de forma instantânea, algo que muda completamente o nível de competitividade das empresas. E na
automação inteligente, não é só substituir trabalho manual, mas criar processos autônomos que se adaptam e melhoram sozinhos. Isso libera equipes para focar em criatividade, estratégia e relacionamento com clientes, que são áreas onde o fator humano é insubstituível. Na prática, isso significa que empresas que já estão usando IA estão ganhando uma vantagem tão grande que, em alguns mercados, o concorrente que não se adaptar simplesmente deixa de existir em poucos anos.”
UMA EVOLUÇÃO – E REVOLUÇÃO – PARA O SETOR DE MODA
O uso de inteligência artificial em nosso setor vai muito além do design e criações de moda, e tem promovido transformações profundas.
Camilla Borelli, engenheira têxtil, professora e pesquisadora no curso de Têxtil e Moda da EACH/USP, e presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Têxtil, Confecção e Moda (ABTT), salienta que junto a outras tecnologias imersivas, a IA está fomentando uma transformação multidimensional no setor têxtil e confeccionista, acelerando a digitalização e aprimorando processos tradicionais. E essa transformação, segundo Camilla, faz parte de uma tendência de digitalização industrial, impulsionada pela crescente conscientização sobre sustentabilidade e a busca por práticas mais responsáveis.
“As potencialidades da IA incluem a criação de um novo paradigma de produção e consumo, que pode mitigar desafios ambientais e sociais. A IA é crucial para a transição em direção a uma economia circular, otimizando processos, reduzindo o consumo de recursos naturais e a geração de resíduos. Ao se integrar com tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), a IA possibilita o monitoramento ambiental em tempo real, garantindo a conformidade com regulamentações e promovendo uma manufatura mais sustentável, e também permite a criação de ambientes virtuais de prova e a redução de protótipos físicos, o que, por sua vez, contribui para a eficiência operacional e a criação de novos modelos de negócio digitais e sustentáveis”, explica.
Também seguindo a linha multidimensional, a trend forecaster e especialista em Negócios da Moda, Karin Hellen Froehlich, acha que a inteligência artificial deixou, faz tempo, de ser uma tendência tecnológica para se tornar estrutural no setor de moda, destacando três eixos principais:
- Eficiência operacional e redução de custos: Zara, H&M, Aramis, são marcas que já têm trabalhado com IA na previsão de demanda e controle de estoque, o que é fantástico pela lente da sustentabilidade e otimização de custos. Outro exemplo nesse eixo, é o emprego da IA na produção ágil de conteúdo visual ou automação de tarefas operacionais como e-mails, transcrição de reuniões, construção de reports, análise de dados, etc., liberando o profissional para funções estratégicas, que é exatamente o que precisamos.
- Personalização e experiência do cliente: essa é uma das frentes que mais se ganha com a adoção de IA. Pela primeira vez podemos falar no termo ‘hiperpersonalização em larga escala’, com recomendações de produtos adaptados ao estilo pessoal e outras preferências, além de brincar com o imaginário, possibilitando às marcas criarem experiências visuais ou sensoriais ao seu público, o que é uma demanda para a diferenciação em nosso mercado hoje (ótimo exemplo é o óculos inteligente da Meta & Ray Ban, Nike com provador virtual e a EveryHuman com a Algorithmic Perfumery).
- Inovação criativa e velocidade de tendências: a partir de milhões de imagens e informações disponíveis na web, a IA tem ajudado designers com moodboards, análises de tendências, prototipagem virtual (que reduzem amostras físicas) e aceleram o time to market.
“Para o futuro breve, gosto de dizer que estamos somente na ponta do iceberg de todo o potencial do ciclo de adoção da IA, há muito espaço ainda para expansão, principalmente em áreas como integração total da cadeia produtiva, conectando fornecedores com logística e pontos de venda para prever rupturas, ajustar produção em tempo real e otimizar transporte, além de previsão de demandas por SKU, redução de desperdício da matéria-prima, e mais. Além disso, sem sombra de dúvidas iremos presenciar novos modelos de negócios, como plataformas de cocriação, onde os consumidores participam ativamente do design assistido por IA, serviços de assinatura on demand, campanhas de marketing em tempo real com social listening, engenheiros de prompts, e mais”, diz Karin. “Mas gosto sempre de deixar muito claro que a IA é ferramenta. O diferencial competitivo real continuará sendo a visão humana capaz de interpretar dados, criar narrativas e gerar conexão emocional com o cliente. Isso, não pode mudar.”

ABERTURA AO NOVO
Será que as empresas brasileiras do setor de moda estão abertas a adotar a IA como ferramenta em suas rotinas? Na visão de Karin Hellen, a resposta é sim. “Contudo, muitas ainda estão nos primeiros passos da jornada: iniciativas isoladas, escassez de governança e baixo treinamento para seus colaboradores. Ok, faz sentido, sabendo que a adoção passa por uma curva de sair do novo, do estranhamento, para adoção e consolidação. O bom sinal é o entusiasmo, especialmente entre pequenas empresas e startups. O desafio agora é transformar essa energia em adoção consistente e estruturada, com governança, métricas, capacitação e infraestrutura adequadas”, reforça.
Neste ponto, apesar do movimento de busca e exploração de possibilidades que a IA traz ao setor, Camilla Borelli levanta a questão de barreiras a serem superadas, como o alto custo de implementação, a falta de infraestrutura e a carência de mão de obra qualificada.
“Há também preocupações legítimas quanto ao sigilo de dados e à propriedade intelectual. Grandes grupos e startups mais estruturadas já utilizam IA em áreas como marketing digital e gestão de estoque, mas para uma disseminação mais ampla, são necessários investimentos coordenados em pesquisa, educação e políticas públicas de incentivo à indústria 4.0”, destaca.
SEGURANÇA DE DADOS
Ao mesmo tempo que a inteligência artificial se torna parte das ferramentas de proteção de dados, ela própria também precisa ser protegida contra o vazamento de informações sensíveis às empresas. E como fazer para resolver esse círculo?
Marcelo Lau, diretor-executivo da Data Security e especialista em segurança da informação, responde.
“Quanto ao uso da IA, nota-se a existência de três preocupações iniciais. Primeiro: o potencial vazamento (exposição de dados) que tenha sido a fonte de consumo da Inteligência Artificial, assim como os dados resultantes do aprendizado de máquina. Para o endereçamento desta questão, vale avaliar as soluções que irão conter mecanismos de inteligência artificial e utilizá-los, desde que os mesmos possam apresentar algumas garantias para a proteção destes dados. Segundo: questões que envolvem autoria e propriedade intelectual. Sabemos que a inteligência artificial generativa é capaz de produzir algo novo, com base em conteúdos já existentes, portanto, a produção literária, por exemplo, se este for inspirado em certo autor, de quem seriam os direitos relacionados a este texto produzido? Neste aspecto, considero importante que toda e qualquer criação por IA passe por critérios que envolvam a área jurídica, ao que tangem aspectos de propriedade intelectual. Terceiro: inteligência artificial precisa de dados e configurações que são alimentados por pessoas, sendo que estas podem vir a produzir resultados com viés indesejáveis como, por exemplo, conteúdos que possam trazer consigo aspectos discriminatórios ou até mesmo ofensivos, sendo que uma tecnologia como esta, se alimentada com dados de forma incorreta, irá produzir resultados incorretos. Para isto, espera-se que todo resultado produzido, possa ser submetido a um processo de avaliação (curadoria) para que potenciais conteúdos discrepantes possam ser evitados. Além destas medidas, entende-se que um processo de governança, ou seja, um processo de decisão que envolva equipes de tecnologia, áreas de negócio e decisores corporativos, possam, de forma conjunta, tomar decisões quanto à adoção de toda e qualquer tecnologia, avaliando seus riscos e benefícios, pois entendo que novas tecnologias, incluindo Inteligência artificial, é algo que precisa ser adotado de forma colegiada.”
IA NA TECELAGEM

Recentemente, a Vicunha Têxtil anunciou um investimento de cerca de R$ 5 milhões na modernização de seu sistema tecnológico, que inclui o uso de IA em processos produtivos.
“A decisão da Vicunha de investir na transformação digital, incluindo o uso futuro de inteligência artificial, é resultado de uma visão estratégica para aumentar a produtividade, eficiência e agilidade nos processos produtivos. No setor produtivo, a Vicunha está se preparando para o uso de IA por meio de uma série de iniciativas. O investimento de cerca de R$ 5 milhões na modernização de sistemas e integração de ferramentas avançadas, com o novo sistema de gestão têxtil SGT 500 e a construção de data lakes, mostra que a empresa está priorizando a digitalização como caminho para eliminar gargalos, flexibilizar a produção e responder rapidamente ao mercado”, conta Vanei Moura, diretor industrial da Vicunha.
De acordo com Vanei, os investimentos em coleta de dados e automação viabilizarão a criação de data lakes, permitindo que a Vicunha armazene, organize e analise volumes de dados, com a aplicação de IA e analytics para extrair insights estratégicos e embasar tomadas de decisão.
“A estruturação dessa base tecnológica e o uso de sistemas integrados apontam para uma transversalidade de departamentos, conectando a área industrial com TI e o setor de Sistema de Gestão Integrada, manutenção, entre outros. É uma atuação que demandará integração de profissionais capacitados com foco na decisão de soluções baseadas em dados.”
A partir desse primeiro passo, o intuito é de preparar toda a base tecnológica para que a aplicação de IA seja possível em várias frentes, inclusive na linha de produção.
“A integração das unidades fabris – nacionais e internacionais – e logísticas com o novo sistema SGT 500 permitirá o acompanhamento em tempo real de todas as etapas do processo, desde o planejamento e reprogramação automática da produção, além da flexibilização da produção, conforme as demandas do mercado. Com os data lakes (repositório de dados) prontos, a empresa poderá implementar ferramentas avançadas de IA na produção, como análise preditiva de eficiência, detecção de anomalias, programação de manutenção preditiva e automação de decisões operacionais, garantindo maior acuracidade, redução de desperdícios e aumento da competitividade. A Vicunha investe em tecnologia de ponta para a digitalização e uso da inteligência artificial e também consolida um modelo de produção que integra inovação, sustentabilidade e excelência operacional, consolidando-se como referência global no mercado da moda para processos industriais avançados e ambientalmente responsáveis”, reforça o diretor industrial.
Outro ponto importantíssimo nessa empreitada da Vicunha está na preparação de seus colaboradores para a chegada de novas ferramentas tecnológicas. Vanei conta que a empresa planeja novos treinamentos para as lideranças e os times operacionais, na medida em que a evolução de aplicações forem surgindo. “Essas ações visam garantir que os profissionais estejam preparados para atuar em ambientes cada vez mais digitais e lidando com análises avançadas, novas ferramentas e sempre com foco na tomada de decisão para geração de resultado.”
PONTO DE EQUILÍBRIO
Muito se discute sobre como a IA tomará nossos empregos, e esta é uma preocupação legítima. Além disso, até onde vai a medida do que o homem ou a máquina podem ou devem fazer nesse novo contexto?
Para Camilla Borelli, o ponto de equilíbrio se encontra na integração estratégica e complementaridade entre a IA e o trabalho humano. “A IA não substitui, mas sim amplia as capacidades humanas, automatizando tarefas repetitivas, analíticas ou operacionais. Em contrapartida, o fator humano continua sendo essencial para a criatividade, o pensamento crítico, a tomada de decisões éticas e a compreensão do contexto sociocultural e da inovação. A história da indústria, com suas revoluções tecnológicas, já demonstrou que a inovação sempre traz preocupações sobre o trabalho humano. No entanto, o ponto crucial da era da IA é que as pessoas com maior repertório técnico e conceitual ganham vantagem, pois são capazes de dar as orientações corretas e precisas para a IA executar. A adoção ética da IA exige supervisão, transparência e capacitação contínua para que os profissionais do setor possam atuar de forma colaborativa com as novas tecnologias. É responsabilidade das empresas e da academia focar na requalificação da força de trabalho para gerenciar a mudança e preencher o gap de habilidades que surge com a difusão da tecnologia”, avalia.
“Na minha visão, o ponto de equilíbrio no nosso setor é tratar a IA como força de automação de tarefas e amplificação de talento humano, não como substituta”, opina Karin Hellen. “A IA é sua assistente para te entregar velocidade e eficiência com tarefas operacionais, para você focar na estratégia. Direção criativa, edição de coleções, posicionamento, relacionamento interpessoal, conexão humana, relacionamento com a comunidade, isso a IA não faz por nós. Para mim, tudo se resume em: a meta é tornar humanos melhores no trabalho e o trabalho melhor para humanos, o que pede reconfiguração de papéis. Eu vejo que o saldo não é binário (ganha/perde); é realocação de tarefas + novas competências. E, com isso, preservar um ativo que é, no meu ponto de vista, o mais fundamental e raro em nossa sociedade hoje: tempo de qualidade de vida.”
A IA É SUSTENTÁVEL?
A resposta certa para essa questão é: sim e não – há o lado dúbio na IA. De um lado, agiliza processos e tempo de desenvolvimento de produtos, evita o uso de amostras físicas e deslocamentos desnecessários. De outro, vem se tornando uma grande preocupação o consumo de água absurdo demandado pelos data centers para resfriar os processadores.
“A IA se torna uma ferramenta de suporte à sustentabilidade por meio da otimização e melhoria da eficiência em diversos processos, alinhando-se com a transição para a economia circular. Essa é, inclusive, uma das minhas linhas de pesquisa, onde investigo o uso de tecnologias emergentes em prol da sustentabilidade, e a IA está inserida como um ponto de destaque”, diz Camilla, que elenca alguns desses prós:
- Eficiência e Otimização: A IA pode prever padrões de consumo e otimizar processos industriais, resultando em maior eficiência energética, redução do consumo de água, energia e químicos na produção, e diminuição de resíduos por meio de cortes mais precisos e predição de demanda.
- Design e Produção Sustentável: A IA, em conjunto com tecnologias imersivas, permite simulações digitais e a criação de protótipos virtuais, eliminando a necessidade de amostras físicas e, consequentemente, reduzindo o desperdício de materiais.
- Cadeia de Suprimentos Transparente e Circular: Combinada com a IoT, a IA permite a rastreabilidade completa dos materiais e a gestão eficiente dos ciclos de vida dos produtos. Isso ajuda a fechar ciclos, promovendo o reuso e a reciclagem, e incentivando práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança).
- Educação do Consumidor e Novos Modelos de Negócio: A IA pode educar os consumidores sobre escolhas sustentáveis e reduzir a necessidade de consumo físico por meio da moda digital e do metaverso.
“É importante, contudo, considerar os impactos negativos da própria IA, como o elevado consumo de energia para o treinamento de modelos e a geração de resíduos eletrônicos. Em minhas pesquisas, o conceito de “IA sustentável”, que busca reduzir sua própria pegada ecológica, tem sido cada vez mais incorporado nas estratégias do setor”, revela.

STYLE3D LANÇA STUDIO V9.0
Insuperável entre as ferramentas de design de moda, o Style3D acaba de lançar uma nova versão: a Studio V9.0, que traz ainda mais funcionalidades intuitivas com a IA generativa embarcada e comandos por prompts. Tudo integrado, ágil e resultados ultrarrealistas. No Brasil, a Style3D tem representação exclusiva da GGTech e Galileu Tecnologia.

AUDACES ESTREIA NO VAREJO COM HUB DE IA PAR E-COMMERCE DE MODA
A multinacional ítalo-brasileira Audaces acaba de lançar o Fashion Hub, sistema de recomendação com inteligência artificial voltado aos e-commerces de moda. A ferramenta é o primeiro desdobramento da aquisição da fashiontech Sizebay. Com o novo produto, a Audaces passa a oferecer soluções diretamente integradas à jornada de consumo no e- commerce de moda. As ferramentas do Fashion Hub cruzam dados comportamentais, análise de imagem a partir de AI e visão computacional e preferências de navegação para indicar o tamanho ideal de peças e sugerir combinações personalizadas, com o objetivo de aumentar a taxa de conversão e reduzir devoluções.
Além de recomendar peças similares e complementares, por meio da ferramenta Fashion Hint, o sistema oferece sugestões de looks completos, otimizando a navegação e promovendo maior interação com o catálogo, através do Fashion Looks. O conjunto conta ainda com o Fashion Image Search, que permite buscar produtos semelhantes por meio de uma imagem, facilitando a descoberta visual de novos itens, tudo isso ajustado aos tamanhos ideais com base no perfil do consumidor através do provador virtual. A proposta da empresa é transformar a experiência de compra em um ativo de dados que também favoreça o planejamento de mix de produtos e de estoque pelas varejistas.
A tecnologia será ofertada em operação com marcas de médio e grande porte. Estimativas da empresa indicam que o uso de sistemas de recomendação como as oferecidas pelo Fashion Hub contribuem diretamente para o aumento do ticket médio nas transações online.